“Corolla dos drones” vira aposta dos EUA em nova estratégia para ataques contra o Irã

Desenvolvido em menos de dois anos, drone “Lucas” custa até 200 vezes menos que um míssil Tomahawk

Gabriel Garcia

Divulgação/Centcom
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Os Estados Unidos passaram a usar na guerra contra o Irã um novo drone de ataque de baixo custo desenvolvido a partir de tecnologia iraniana. Segundo reportagem do Wall Street Journal (WSJ), o FLM-136 “Lucas” foi criado pelo próprio Exército americano com base em engenharia reversa de um Shahed, o drone kamikaze fabricado pelo Irã e utilizado em larga escala pela Rússia na Ucrânia.

De acordo com o WSJ, o Lucas saiu do projeto para o campo de batalha em menos de dois anos, rompendo o padrão tradicional do Pentágono de apostar em sistemas muito caros e de desenvolvimento lento.

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O drone tem alcance de cerca de 800 km, autonomia de seis horas e custa entre US$ 10 mil e US$ 55 mil por unidade, bem abaixo dos mísseis de cruzeiro Tomahawk, que saem por pelo menos US$ 2 milhões cada.

WSJ relata que o projeto faz parte de uma estratégia mais ampla dos EUA para garantir munição barata e abundante em conflitos de alta intensidade, como um possível embate com a China.

Autoridades de Defesa ouvidas pelo jornal afirmam que o Lucas já foi usado em ataques a instalações militares iranianas, incluindo fábricas de drones e pontos de defesa aérea.

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Um ex-dirigente do Departamento de Defesa definiu o equipamento como “o Toyota Corolla dos drones”: simples, robusto e feito para ser produzido em larga escala.

Como o governo americano detém a propriedade intelectual do Lucas, o Pentágono está distribuindo a produção entre diferentes fabricantes, com capacidade planejada de centenas de unidades por mês.

O Corpo de Fuzileiros Navais encomendou cerca de 6.000 drones, inicialmente voltados ao Indo-Pacífico, mas parte do lote foi direcionada ao Oriente Médio.

Especialistas ouvidos pelo jornal, porém, alertam que o desempenho do Lucas em ambientes mais complexos, com guerra eletrônica pesada e bloqueio de GPS, ainda é incerto.

Eles também chamam atenção para a falta de sistemas baratos de defesa antidrone nos EUA, o que permite que milícias apoiadas pelo Irã continuem usando pequenos drones contra bases americanas.