VÍDEO: Conheça a maior fábrica de drones do mundo — na Rússia e cheia de adolescentes

Documentário estatal da Rússia exibe os adolescentes como parte da defesa do país; instalação já fabrica mais de 5 mil drones de ataque por mês

Victória Anhesini

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A maior fábrica russa de drones de ataque do mundo está localizada na região do Tartaristão, a mais de mil quilômetros da fronteira com a Ucrânia, ganhou atenção internacional recentemente por algumas questões: seu volume de produção e pelo uso de mão de obra menor de idade na montagem dos equipamentos militares.

A unidade, responsável por fornecer ao Exército russo os drones kamikazes Geran-2 (que é uma versão nacional dos iranianos Shahed 136), atua na zona econômica especial de Ielabuga. Os produtos que saem da fábrica são utilizados com frequência em ataques contra alvos ucranianos.

Detalhes do funcionamento da fábrica entraram em evidência após reportagens da agência Reuters e do jornal britânico The Telegraph, que são baseadas em imagens de um documentário divulgado pelo canal estatal Zvezda, ligado ao Ministério da Defesa russo. Nesse vídeo, é possível localizar quem são os jovens trabalhando junto com adultos, já que grande parte está com os rostos borrados.

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As reportagens mostram que esses jovens, alguns com aproximadamente 15 anos, são encaminhados à fábrica logo após o nono ano escolar e matriculados em um colégio técnico mantido pela própria empresa.

“Para onde quer que você olhe, há jovens trabalhando aqui”, narra o vídeo enquanto a câmera percorre as linhas de montagem, onde os adolescentes aparecem operando equipamentos e montando peças.

Timur Shagivaleyev, diretor-geral da instalação, afirma que o plano inicial era produzir “milhares de drones Geran-2”, mas que a fábrica já opera com uma produção “nove vezes maior” (apesar de não informar o período ao qual se refere).

Segundo fontes próximas ao Kremlin, a estimativa é que a fábrica esteja produzindo mais de 5 mil drones mensalmente. Cerca de 18 mil unidades foram produzidas só no primeiro semestre de 2025.

Geran-2

Pintados de preto fosco para reduzir a visibilidade à noite, os Geran-2 têm 3,5 metros de comprimento, 2,5 metros de envergadura e são capazes de voar a 300 km/h, com alcance de até 1.800 km e ogiva de 50 kg. O custo fica entre 26 mil e 37,2 mil libras, algo próximo de R$ 195 mil a R$ 280 mil. Esses valores são significativamente menores que os dos sistemas de defesa ocidentais, como o Patriot, cujo míssil pode ultrapassar R$ 30 milhões.

A aposta russa é esgotar os estoques e a capacidade de reação da defesa aérea ucraniana com ataques frequentes e em grande escala, de acordo com analistas europeus. Em 9 de julho, Moscou teria lançado 741 drones e mísseis em uma única noite, se tornando o maior ataque registrado até o momento. Autoridades alertam que a Rússia pode estar se preparando para dobrar esse número e chegar a 2 mil drones por dia.

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O governo russo afirma que os alvos são “militares ou relacionados às forças armadas”, mas dados da ONU apontam mais de 13 mil civis ucranianos mortos desde o início da guerra. Reportagens indicam que os drones têm sido usados para sabotar redes elétricas e outras estruturas essenciais à sobrevivência da população.

Pista e caminhonetes

O complexo de Ielabuga possui uma pista de testes própria e tem caminhonetes Dodge Ram 1500, de fabricação americana, para lançar os drones, o que pode configurar violação de sanções internacionais. É possível ver nas imagens do documentário os veículos sendo usados em campo para carregar e disparar os equipamentos.

Apesar de geograficamente isolada, a fábrica se beneficia da proximidade com o rio Kama, que deságua no Volga, facilitando o transporte de componentes, possivelmente vindos do Irã pelo Mar Cáspio. Ainda assim, o local já teria sofrido ao menos uma ofensiva: em junho, um drone interceptado causou uma explosão que matou uma pessoa na região, segundo a imprensa local.

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O documentário exibido na TV estatal quer exaltar a capacidade industrial da Rússia e retrata a presença juvenil na fábrica como parte da “defesa do país”. As reportagens apontam que o Kremlin quer replicar o modelo de Ielabuga em outras regiões, com o objetivo de fortalecer a indústria de defesa nacional e diminuir a dependência de tecnologia importada.