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Os israelenses compareceram às urnas na terça-feira no ritmo mais acelerado dos últimos 45 anos, submetendo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a um julgamento em meio a um período de guerra — no que os eleitores descreveram como a eleição mais decisiva de sua história.
Nesta primeira eleição desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, os eleitores estão profundamente envolvidos com o trauma do dia mais sangrento do país e com as guerras que se seguiram em Gaza, no Líbano e no Irã.
As políticas da coalizão de direita de Netanyahu têm gerado divisões no país e aprofundado o isolamento internacional de Israel, mas ele defende seu histórico como o único líder com coragem para enfrentar os inimigos de Israel.
Netanyahu, o líder mais longevo de Israel, com 19 anos no cargo, é um sobrevivente político inigualável, e sua política nacionalista está cada vez mais arraigada. O sistema fragmentado de Israel dificulta que um conjunto de oponentes consiga derrubar sua coalizão de partidos de direita, extrema-direita e ultraortodoxos.
Seu principal rival, Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado Maior das Forças Armadas e defensor de uma linha-dura em questões de segurança, pretende destituí-lo com o apoio de partidos da direita e do centro, bem como do que resta de uma esquerda cada vez mais marginalizada. As pesquisas de opinião mostram uma disputa acirrada, sem que nenhum dos líderes tenha um caminho fácil para o poder.
Os eleitores começaram a votar após a abertura das seções eleitorais às 7h (2h em Brasília). As urnas fecham às 22h no horário local.
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A Comissão Central de Eleições informou que 16,7% dos eleitores aptos já haviam votado nas primeiras três horas — a taxa de comparecimento inicial mais rápida desde 1981.

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“Acho que essas eleições são as mais importantes de todas as que já presenciei”, disse Ruth Epstein, uma eleitora de 81 anos, de longa data da esquerda, em Ramat Gan, perto de Tel Aviv, que votou nos democratas da oposição.
“Estou realmente com medo do que vai acontecer por aqui.”
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Louis Lipsky, de Jerusalém, apoiador de Netanyahu, disse que estava votando para manter o primeiro-ministro no poder, reconhecendo seu mérito na normalização das relações com vários países árabes por meio dos Acordos de Abraão de 2020.
Netanyahu fez campanha com base em sua liderança em tempos de guerra e no apoio do presidente dos EUA, Donald Trump, seu aliado na guerra contra o Irã, que afirmou que eles deveriam “concluir o trabalho”.
Se nem Netanyahu nem Eisenkot conseguirem formar uma coalizão de governo no Parlamento de 120 cadeiras, Netanyahu poderá permanecer como interino até que seja realizada outra eleição. Seus oponentes conseguiram tirá-lo do cargo de primeiro-ministro apenas uma vez desde 2009, e isso exigiu quatro eleições sem resultado conclusivo em dois anos. Ele voltou 18 meses depois.
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EISENKOT VÊ UM “NOVO ESPÍRITO”
Para muitos dos oponentes de Netanyahu, a eleição gira em torno da responsabilização pelas falhas de segurança de 7 de outubro, o dia mais sangrento de Israel. Grupos da oposição prometeram realizar uma investigação nacional, à qual o governo de Netanyahu tem se oposto.
“Estou convencido de que, até o final do dia de hoje, veremos uma mudança — um novo espírito para o Estado de Israel — que servirá como uma correção para os últimos três anos e para aquele dia terrível”, disse Eisenkot durante uma visita ao kibutz Nir Oz, no sul de Israel, alvo dos ataques de 7 de outubro.
Ele foi às urnas com Gadi Mozes, uma das 251 pessoas sequestradas pelo Hamas e levadas para Gaza durante o ataque que matou 1.200 pessoas.
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Eisenkot afirma que a resposta de Israel — uma guerra que, segundo as autoridades de saúde, matou mais de 74 mil palestinos — foi um fracasso, pois o Hamas continua no poder. Ele reiterou seu compromisso de desmantelar ou destruir o poder militar e governamental do Hamas em Gaza dentro de 18 meses após a formação do governo.
Em seu primeiro comentário público no dia da eleição, Netanyahu compartilhou um artigo no X sobre um incidente no qual a polícia informou que três pessoas foram presas por uma tentativa de suborno eleitoral.
“Eleitores de direita, queridos eleitores do Likud, diante das tentativas de minar a integridade das eleições, devemos sair e votar em massa, votar no Likud pelo bem do nosso país”, disse ele.