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O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, considerou um insulto e revoltantes os comentários do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a permanência das tropas europeias fora das linhas de frente no Afeganistão, juntando-se ao coro de críticas de outras autoridades europeias e veteranos.
“Considero os comentários do presidente Trump insultantes e francamente chocantes, e não me surpreende que tenham causado tanta dor aos entes queridos daqueles que foram mortos ou feridos”, disse Starmer a jornalistas.

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Questionado se exigiria um pedido de desculpas do líder dos EUA, Starmer respondeu: “Se eu tivesse me expressado mal dessa forma ou dito essas palavras, eu certamente pediria desculpas”.
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O Reino Unido perdeu 457 militares no Afeganistão, sua guerra mais mortal no exterior desde a década de 1950. Durante vários dos anos mais intensos da guerra, os britânicos lideraram a campanha aliada em Helmand, a maior e mais violenta província do Afeganistão, ao mesmo tempo em que lutavam como principais aliados dos EUA no campo de batalha do Iraque.
As declarações de Starmer adotaram tom notavelmente forte, vindas de um líder que tende a evitar críticas diretas a Trump em público.
Na quinta-feira, Trump disse à Fox News que os Estados Unidos “nunca precisaram” da aliança transatlântica e acusou os aliados de ficarem “um pouco fora da linha de frente” no Afeganistão.
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Os comentários aumentaram o tensionamento das relações com os aliados europeus após Trump usar o Fórum Econômico Mundial na estação de esqui suíça de Davos para sinalizar novamente seu interesse em adquirir a Groenlândia.
O ministro das Relações Exteriores da Holanda, David van Weel, condenou os comentários de Trump sobre o Afeganistão, chamando-os de falsos e desrespeitosos.
O príncipe Harry, do Reino Unido, que serviu no Afeganistão, também se manifestou. “Esses sacrifícios merecem ser mencionados com sinceridade e respeito”, disse ele em um comunicado.
“Pagamos com sangue”
“Esperamos um pedido de desculpas por essa declaração”, disse Roman Polko, general polonês aposentado e ex-comandante de forças especiais que também serviu no Afeganistão e no Iraque, à Reuters em uma entrevista.
Trump “cruzou uma linha vermelha”, acrescentou. “Pagamos com sangue por essa aliança. Nós realmente sacrificamos nossas próprias vidas.”
O ministro de veteranos do Reino Unido, Alistair Carns, cujo serviço militar incluiu cinco missões, ao lado, aliás, de tropas americanas no Afeganistão, chamou as alegações de Trump de “totalmente ridículas”.
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“Nós derramamos sangue, suor e lágrimas juntos. Nem todos voltaram para casa”, disse ele em um vídeo postado no X.
Richard Moore, ex-chefe do serviço de inteligência MI6 do Reino Unido, disse que ele, assim como muitos oficiais do MI6, operou em ambientes perigosos com colegas da CIA “corajosos e altamente estimados” e teve orgulho de fazê-lo.
De acordo com o tratado de fundação da Otan, os membros estão vinculados a uma cláusula de defesa coletiva, o Artigo 5, que trata um ataque a um membro como um ataque a todos.
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Essa cláusula foi invocada apenas uma vez, após os ataques de 11 de setembro de 2001 a Nova York e Washington, quando os aliados se comprometeram a apoiar os Estados Unidos. Durante a maior parte da guerra no Afeganistão, a força liderada pelos EUA estava sob o comando da Otan.
“Não deve ser minimizado”
Alguns políticos observaram que Trump evitou o alistamento para a Guerra do Vietnã, citando esporas ósseas nos pés.
“Trump evitou o serviço militar 5 vezes”, escreveu Ed Davey, líder dos Democratas Liberais centristas do Reino Unido, no X. “Como ele ousa questionar o sacrifício deles?”
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O sacrifício da Polônia “nunca será esquecido e não deve ser minimizado”, disse o ministro da Defesa, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz.
Os comentários de Trump foram “ignorantes”, avaliou Rasmus Jarlov, membro do Partido Conservador da oposição no Parlamento da Dinamarca.
Além das mortes britânicas, mais de 150 canadenses foram mortos no Afeganistão, além de 90 militares franceses e dezenas de alemães, italianos e de outros países.
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A Dinamarca — agora sob forte pressão de Trump para transferir sua região semiautônoma da Groenlândia para os EUA — perdeu 44 soldados, uma das maiores taxas de mortalidade per capita da Otan.
Os Estados Unidos perderam cerca de 2.460 soldados no Afeganistão, de acordo com o Departamento de Defesa dos EUA, número per capita equivalente ao do Reino Unido e da Dinamarca.