Combate entre Israel e Hamas abala Gaza; EUA buscam proteção para civis

Hospitais de Deir al-Balah, Khan Younis e Rafah registraram novo fluxo de mortos e feridos no início da sexta, incluindo duas crianças

Reuters

Sul de Israel, perto da fronteira do Gaza: local vive tensões há anos (Foto: John Macdougall/AFP/Getty Images)

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CAIRO/GAZA (Reuters) – As forças israelenses e o Hamas travaram batalhas ferozes em toda a Faixa de Gaza nesta sexta-feira, segundo testemunhas, sugerindo que a ofensiva terrestre de Israel estava encontrando uma resistência mais rígida, à medida que os Estados Unidos pressionam seu aliado a mudar uma estratégia que causou um enorme número de mortes de civis.

Moradores do pequeno enclave relataram combates em Sheijaia, Sheikh Radwan, Zeitoun, Tuffah e Beit Hanoun, no norte de Gaza, a leste de Maghazi, no centro de Gaza, e no centro e na periferia norte da principal cidade do sul, Khan Younis.

Os hospitais de Deir al-Balah, Khan Younis e Rafah registraram um novo fluxo de mortos e feridos no início da sexta-feira, incluindo duas crianças. Quatro pessoas foram mortas em um ataque aéreo israelense a uma casa em Rafah e tanques israelenses estavam bombardeando alvos a leste da cidade, perto da fronteira egípcia, disseram médicos e testemunhas.

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Os militares israelenses disseram em uma atualização na sexta-feira que suas forças haviam destruído um centro de comando e controle do Hamas no distrito de Sheijaia, na Cidade de Gaza, e realizaram um “ataque direcionado” à infraestrutura militante em Khan Younis.

Os pesados combates, confirmados por muitos moradores e fontes militantes contatadas pela Reuters, levantaram questões sobre se a blitz aérea e terrestre de dois meses de Israel em Gaza havia enfraquecido significativamente o Hamas.

“A Faixa de Gaza se transformou em uma bola de fogo durante a noite, podíamos ouvir explosões e tiros ecoando de todas as direções”, disse Ahmed, de 45 anos, um eletricista que falava à Reuters de um abrigo em uma área central da faixa costeira densamente povoada.

“Eles podem destruir casas e estradas e matar civis pelo ar ou por meio de bombardeios cegos de tanques, mas quando ficam cara a cara com a resistência, eles perdem. Não temos nada a perder depois de tudo o que eles fizeram com a nossa Gaza”, afirmou ele.

O implacável bombardeio israelense destruiu grande parte da Faixa de Gaza nos últimos dois meses, com quase 19.000 pessoas confirmadas como mortas, de acordo com autoridades de saúde palestinas, e milhares de outras pessoas provavelmente sob os escombros.

Israel lançou seu ataque em retaliação a um ataque do Hamas, grupo apoiado pelo Irã que governa Gaza, cujos combatentes invadiram comunidades israelenses próximas, mataram 1.200 pessoas e fizeram 240 reféns em 7 de outubro.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse ao assessor de segurança nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, na quinta-feira, que Israel estará em guerra com o Hamas “até a vitória absoluta”. O ministro da Defesa, Yoav Gallant, afirmou que isso “durará mais do que vários meses, mas nós venceremos e os destruiremos”.

Não houve nenhum sinal de interrupção das hostilidades, e as afirmações israelenses no final de novembro de que haviam dominado amplamente o norte de Gaza, que é altamente urbanizado, parecem ser uma quimera.

A propagação da guerra terrestre após uma pausa de uma semana que permitiu a libertação de alguns reféns frustrou os planos de intensificar as entregas de suprimentos básicos desesperadamente necessários para que os civis sobrevivam.

Mais de 80% dos 2,3 milhões de habitantes de Gaza foram deslocados, alguns repetidamente.

EUA QUEREM QUE ISRAEL MUDE DE ESTRATÉGIA

Washington vem pressionando Israel há semanas para que faça mais para proteger os civis de Gaza, conforme se intensifica o clamor global sobre a catástrofe humanitária que se espalha, com a paralisação do atendimento médico e a indisponibilidade generalizada de alimentos, combustível e água potável.

O assssor de segurança nacional dos EUA, Jake Sullivan, conversou com autoridades de Israel na quinta-feira sobre a mudança de sua estratégia militar em Gaza, de uma ampla ofensiva terrestre para ataques de precisão contra o Hamas, a fim de proteger melhor os civis.

“Houve uma discussão nessas reuniões e também em nossas reuniões anteriores, e em telefonemas entre o presidente (Joe Biden) e o primeiro-ministro (israelense) (Benjamin Netanyahu), sobre uma espécie de mudança na ênfase das operações de desobstrução de alta intensidade, que estão em andamento agora, para um foco de menor intensidade em alvos de alto valor, ataques conduzidos por inteligência, esses tipos de objetivos militares mais estreitos e cirúrgicos”, disse uma autoridade de alto escalão do governo dos EUA que pediu para não ser identificada.

Mas seria “irresponsável” dar prazos específicos para essa mudança, disse a autoridade em uma reunião com repórteres sobre a visita de Sullivan a Israel.

Israel afirma que o Hamas usa civis e prédios civis como escudos, uma alegação que o grupo nega, mas tanto aliados quanto adversários, bem como a ONU e grupos humanitários e de direitos, dizem que Israel tem feito muito pouco para proteger os civis.