Com Trump sem camisa sobre um urso, The Economist fala em “ameaça existencial”

Revista diz que recuo sobre a Groenlândia é apenas “retirada tática” e critica visão de mundo “estreita e pessimista” do presidente dos EUA

Gabriel Garcia

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A capa da revista The Economist desta semana traz uma ilustração de Donald Trump sem camisa, montado em um urso polar, para simbolizar a disputa pela Groenlândia e o que a revista vê como um risco maior: o futuro das alianças americanas.

No texto, intitulado “O verdadeiro perigo representado por Donald Trump”, a publicação afirma que, embora o presidente tenha recuado de tarifas e descartado o uso de força contra a ilha, “isso pode ser apenas uma retirada tática”.

A revista lembra que Trump “cobiça a Groenlândia há anos” e que seu discurso em Davos, ao falar da Otan com “desdém”, deveria colocar “as capitais europeias em alerta máximo”.

Para a Economist, a crise da Groenlândia deixa lições mais amplas. Uma delas é que Trump recua sob pressão, “sem necessariamente abrir mão de seus objetivos de longo prazo”. Outra é que a “visão estreita e pessimista” do presidente e sua disposição de “reescrever a história” corroeram a confiança que sustentava as alianças dos EUA.

A revista escreve que, sob Trump, “cada desentendimento ameaça ser existencial” e que ele “antecipa um realinhamento global para o qual os aliados da América precisam se preparar”.

No diagnóstico final, a Economist afirma que Trump dificilmente abandonará a ideia de que aliados “são parasitas” e que valores compartilhados “são coisa de otário” — e que isso inevitavelmente levará a novos confrontos, “seja sobre a Groenlândia ou outra coisa”.

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O artigo conclui que, após décadas de “proteção americana que embalou os europeus”, esses tempos acabaram, e que líderes do continente precisam, ao mesmo tempo, tentar desacelerar a erosão da aliança e planejar “o dia em que a Otan não existir mais”.