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O Irã reorganizou suas forças militares para ser mais agressivo no exterior, enquanto as negociações para encerrar a guerra com os EUA continuam em impasse, um sinal de que Teerã se prepara para uma era prolongada de conflito regional.
Uma série de nomeações militares de alto escalão feitas pelo Líder Supremo Mojtaba Khamenei marca uma mudança para uma “doutrina ofensiva”, disse Mohammad Reza Naqdi, general da Guarda Revolucionária Islâmica que assessora o novo comandante da força, em entrevista à TV estatal na noite de terça-feira (11).
“Quando as condições forem favoráveis e a ordem for dada, precisamos ser capazes de levar a operação para território inimigo”, disse ele, contrastando a abordagem com uma doutrina anterior à guerra que era “baseada principalmente na defesa e na preservação do país”.
Os comentários ocorrem em meio a poucos sinais de avanço entre Irã e EUA sobre o Estreito de Ormuz, com ambos os lados reivindicando o controle da passagem marítima crítica e exigindo concessões que dificilmente serão atendidas. Embora as hostilidades tenham diminuído em uma guerra que já dura seis meses, uma paz duradoura buscada pelos mediadores Paquistão e Catar parece cada vez mais distante.
O presidente dos EUA, Donald Trump, oscilou durante meses entre ameaçar retomar os ataques ao Irã e expressar confiança de que as negociações para encerrar a guerra estão progredindo. Ele reivindicou “controle total sobre o Estreito de Ormuz” em comentários publicados no Truth Social na quarta-feira, uma afirmação que o Irã repetidamente refutou ao atacar navios que transitam pela passagem.

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Trump reiterou alegações de que as forças militares do Irã foram destruídas e que o país — enfrentando dificuldades econômicas — não tem dinheiro. Naqdi disse em sua entrevista à TV estatal que a produção de mísseis balísticos do Irã continua em ritmo acelerado e é “muito maior” do que a taxa de uso, sem fornecer detalhes.
Cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito do mundo era transportado pelo estreito antes de os EUA e Israel começarem a atacar o Irã em 28 de fevereiro. O tráfego continua fluindo, mas em um ritmo muito menor do que antes da guerra, com os produtores usando uma variedade de alternativas para levar suprimentos de energia ao mercado global.
O ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, disse à Bloomberg em Islamabad na terça-feira que os EUA e o Irã estão “próximos de algum tipo de acordo”, sem dar detalhes.
Nesta quarta-feira (12), o gabinete do ministro do Interior paquistanês, Mohsin Naqvi, disse que ele entregou uma mensagem do primeiro-ministro Shehbaz Sharif e do chefe do exército, marechal de campo Asim Munir, à liderança iraniana. Naqvi está auxiliando Munir, que lidera as negociações.
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Um acordo de paz provisório foi firmado entre as partes em junho, mas confrontos intermitentes e interrupções no tráfego marítimo continuam, tornando o acordo efetivamente obsoleto. Um dos termos era um período de negociação de 60 dias, agora próximo do vencimento. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, Tahir Andrabi, disse na quarta-feira que ele pode ser prorrogado.
“Definitivamente estamos em um impasse”, disse Wendy Sherman, ex-secretária de Estado adjunta dos EUA, à Bloomberg TV. “A menos que os EUA estejam prontos para permitir que o Irã e talvez Omã tenham pedágios voluntários, ou para dar ao Irã alívio suficiente das sanções e ativos congelados para que valha a pena para eles, acho que não conseguiremos reabri-lo por qualquer período sustentável.”
“Acho que a realidade é que, no futuro previsível, senão para sempre, o Irã controlará o Estreito de Ormuz”, acrescentou.
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A Al Jazeera noticiou anteriormente que as negociações entre Irã e Omã sobre a reabertura de Ormuz para parte do tráfego marítimo haviam avançado, citando um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar. Os EUA não são parte direta dessas discussões, embora tenham retomado um bloqueio naval dos portos iranianos.
Mohsen Rezaee, o recém-nomeado secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, disse que qualquer acordo com Omã permaneceria separado das discussões sobre uma reabertura total, segundo reportagem da estatal IRIB. Quais condições o Irã pode buscar para isso permanece incerto.
O Irã transmitiu exigências a Washington por meio de intermediários, incluindo que os EUA encerrem a guerra e descongele ativos iranianos bloqueados, disse Rezaee, citado pela IRIB na terça-feira. Os comentários ocorreram após uma reunião com o embaixador da China no Irã, Cong Peiwu, em Teerã.
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Os preços do petróleo pouco se alteraram, com os traders incertos sobre as perspectivas de um acordo no Oriente Médio. O barril do Brent, referência global, era negociado a cerca de US$ 89 em Londres na quarta-feira.
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse em uma postagem em redes sociais na terça-feira que a média de sete dias para o petróleo que sai de Ormuz é de quase 9 milhões de barris por dia, um número superior a muitas estimativas de traders. O número antes da guerra era de cerca de 20 milhões de barris.
Um helicóptero da Marinha dos EUA disparou dois mísseis contra um navio de carga de bandeira panamenha que tentava transitar pelo Golfo de Omã na terça-feira, disse o Comando Central em uma postagem no X, acrescentando que a embarcação navegava em direção a um porto iraniano em violação a um bloqueio americano.
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Apesar desses ataques, os chamados trânsitos de transporte pelo estreito continuam, mantendo aberta uma válvula essencial de suprimento de petróleo. Imagens de satélite mostraram embarcações realizando transferências de carga fora de Ormuz, indicando que alguns navios-tanque continuam a cruzar a passagem com seus transponders desligados.
A volatilidade no Oriente Médio vai além do conflito EUA-Irã. Israel continua em confronto com o Hezbollah no sul do Líbano e realizando ataques contra operacionais do Hamas em Gaza, enquanto os houthis, apoiados pelo Irã, realizaram ataques a navios no Mar Vermelho a partir do Iêmen, o mais recente na terça-feira.
O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, disse no X que três cidadãos paquistaneses estavam entre as seis pessoas que morreram no ataque a uma embarcação comercial.
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