Colômbia vai abolir o uso da palavra “campesino”; prefere “empreendedor rural”

Na semana passada, Indalecio Dangond, novo ministro da Agricultura, disse no Congresso que a administração vai abolir o uso da palavra “campesino”, que considera depreciativa

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O governo de Abelardo De La Espriella na Colômbia, que recém completou um mês desde sua posse, pretende modificar a vida econômica e social da população e demonstrou que isso passa pela forma de se comunicar com a sociedade. Na semana passada, Indalecio Dangond, novo ministro da Agricultura, disse no Congresso que a administração vai abolir o uso da palavra “campesino”, que considera depreciativa.

Para o governo, os produtores de alimentos do país devem ser denominados por expressões como “produtor agrícola” e “pequeno empreendedor rural”. Aos representantes dos comitês econômicos do Senado e da Câmara, ele disse que a medida busca “elevar o status” dos trabalhadores rurais e dignificar seu trabalho.

Imediatamente, houve críticas de parlamentares da oposição e por especialistas em direitos constitucionais, que lembraram que a expressão “campesinos” está presente no artigo 64 da Constituição colombiana, que reconhece o campesinato como sujeito de direitos e de especial proteção constitucional.

Para esclarecer a dúvida, Dangond foi às redes sociais: “Para encerrar a discussão: ‘camponês’ e ‘produtor agropecuário’ não são sinônimos. ‘Camponês’ identifica uma condição social, econômica, territorial ou de agricultura familiar. ‘Produtor ou empresário agropecuário’ é uma categoria produtiva mais ampla: inclui desde o pequeno produtor até o empresário do campo. Reconhecer as diferenças não divide o campo. Pelo contrário, nos permite desenhar melhores políticas para todos”, escreveu no X.

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Mas outras informações de mudanças na comunicação surgiram depois da polêmica no Congresso. A Agência Nacional de Terras (ANT) teria recebido instruções sobre a linguagem que deveriam usar em relatórios e conteúdos comunicativos. O termo “reforma agrária”, por exemplo, deve ser substituído por “acesso à terra” ou “formalização”, segundo notícias de sites colombianos.

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Indalecio Dangond é administrador de empresas e tem cerca de quatro décadas de experiência em financiamento agropecuário e projetos de desenvolvimento rural na Colômbia.

De acordo com informações divulgadas quando seu nome foi oficializado na Pasta da Agricultura, a Dangond estará focada em três eixos principais: facilitar a bancarização de 2,5 milhões de camponeses, avançar na legalização dos títulos de propriedade rural e promover a construção de distritos de irrigação para fortalecer a produtividade do campo colombiano. O governo quer, por meio dessas iniciativas, ampliar o acesso ao crédito, à assistência técnica e às oportunidades para os produtores rurais.

Entre as propostas que o novo ministro tentará impulsionar estão a realização de um censo nacional agropecuário, a criação de 700 escolas de empreendedorismo rural para fomentar a renovação geracional e um programa de substituição de 50 mil hectares de cultivos de uso ilícito, com projetos de palma em Tumaco e cacau em Tibú.

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Na segunda-feira, ao fazer o balaço de um mês de gestão, o ministro disse que um dos objetivos é permitir à Colômbia se colocar entre os marcos do comércio agrícola até 2030. Ele lembrou que, enquanto países como Peru, Uruguai, Brasil e Argentina fizeram progressos significativos na últimas décadas, a Colômbia patina em cerca de 5,5 milhões de hectares cultivados, enquanto 2,4 milhões de pequenos produtores enfrentam sérias dificuldades de produtividade.