Chuvas elevam risco de abstenção no 2º turno em Portugal e viram foco da campanha

Tempestades forçam adiamento local da votação, alimentam disputa política e colocam participação do eleitor no centro da eleição presidencial

Marina Verenicz

Praça do Comércio em Portugal (Pixabay)
Praça do Comércio em Portugal (Pixabay)

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Dois dias antes do segundo turno das eleições presidenciais em Portugal, o fator decisivo deixou de ser a disputa entre projetos e passou a ser a participação do eleitor.

As fortes chuvas que atingem o país colocaram a taxa de abstenção no centro do debate eleitoral e reacenderam tensões entre os dois candidatos que disputam a Presidência no domingo (8).

O socialista António José Seguro, líder nas pesquisas, reconheceu o risco de que o mau tempo reduza a presença nas urnas e altere o desfecho do pleito. Do outro lado, André Ventura, do partido de extrema-direita Chega, passou a defender o adiamento das eleições em áreas afetadas por inundações.

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As chuvas intensas levaram prefeituras como Alcácer do Sal, Pombal e Arruda dos Vinhos a remarcar a votação para o dia 15 de fevereiro. Apesar disso, o governo manteve o calendário nacional do segundo turno, argumentando que cabe às autoridades locais avaliar a necessidade de adiamentos pontuais.

Em Portugal, o voto não é obrigatório, o que amplia o impacto potencial do clima sobre a participação eleitoral.

Desde o primeiro turno, o país enfrentou quatro tempestades consecutivas — Leonardo, Kristin, Ingrid e Joseph — com ventos de até 160 km/h e alagamentos que levaram o governo a decretar estado de calamidade em 68 municípios.

A crise climática forçou mudanças na agenda dos candidatos. Seguro adotou um tom institucional, destacando como exerceria o papel de presidente em situações de emergência, enquanto Ventura usou os estragos para atacar o governo e reforçar sua retórica de oposição.

Levantamento do jornal Expresso em parceria com a emissora SIC indica vitória confortável de Seguro, com 62,6% dos votos, contra 37,4% de Ventura. O favoritismo, porém, pode ter efeito contrário ao desejado pela campanha socialista: a percepção de resultado definido tende a reduzir o comparecimento às urnas, especialmente em condições adversas.