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PEQUIM/TAIPÉ, 22 Abr (Reuters) – A China elogiou nesta quarta-feira três países africanos que se recusaram a permitir que a aeronave do presidente de Taiwan, Lai Ching-te, sobrevoasse seus territórios, forçando-o a cancelar uma viagem a Eswatini, enquanto Lai prometia não se intimidar com a pressão de Pequim.
É a primeira vez que um presidente de Taiwan precisa cancelar uma viagem inteira ao exterior devido à negativa de acesso ao espaço aéreo, o que representa uma nova estratégia chinesa à medida que intensifica seus esforços para sufocar as iniciativas da ilha de se engajar internacionalmente.
Lai deveria ter partido para o pequeno reino do sul da África, um dos apenas 12 países com laços diplomáticos com Taiwan, reivindicado pela China, mas na noite anterior Taiwan disse que sua visita teria que ser adiada.
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Taiwan disse que Seychelles, Maurício e Madagascar haviam revogado a permissão para que a aeronave de Lai sobrevoasse seus territórios.
Lai disse que a China havia usado ‘coerção’ econômica para obter cooperação – uma alegação negada por um porta-voz do Escritório de Assuntos de Taiwan da China.
Zhang Han, a porta-voz, expressou seu apreço pela posição e ‘prática’ dos três países em aderir ao princípio de uma só China.
‘Uma causa justa tem muito apoio, enquanto uma causa injusta tem pouco apoio’, disse ela em uma coletiva de imprensa regular em Pequim, citando o antigo filósofo chinês Mencius.
A China considera Taiwan, democraticamente governada, como parte de seu território, apesar da rejeição de Taipé à reivindicação, e frequentemente chama a questão de ‘linha vermelha’ em suas relações diplomáticas com outros países.
Em uma declaração separada, o Ministério das Relações Exteriores da China disse que estava claro que ‘não havia mais um presidente da chamada República da China no mundo’, referindo-se a Taiwan por seu nome formal.
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‘Qualquer pessoa que use esse título falso está agindo contra a história e só atrairá a desgraça para si’, disse.
Em discurso em uma reunião de seu Partido Democrático Progressista em Taipé nesta quarta-feira, Lai disse que o povo de Taiwan tem o direito de se envolver com o mundo.
‘Nenhum país pode impedir isso, e nenhum será capaz. Quanto mais a China nos reprime, mais devemos demonstrar um espírito de destemor’, acrescentou.
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Madagascar e Seychelles disseram que tomaram a decisão porque não reconhecem Taiwan.
O cancelamento da visita do presidente de Taiwan não alterou os laços bidirecionais de longa data entre Eswatini e a ilha, disse o porta-voz interino do governo do país africano, Thabile Mdluli.
‘Como uma nação soberana, Eswatini continua a seguir uma política externa independente e baseada em princípios que prioriza a paz, a cooperação e as parcerias mutuamente benéficas com todos os membros da comunidade internacional’, acrescentou Mdluli.
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