Chanceler Merz luta pela sobrevivência após derrota eleitoral recorde na Alemanha

Na eleição de Berlim, a CDU, que governa a capital, foi derrotada pelo partido anticapitalista Die Linke, também conhecido como A Esquerda

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(Bloomberg) – Friedrich Merz afirmou que permanecerá como chanceler da Alemanha e líder conservador mesmo após o pior resultado da história de seu partido em uma eleição estadual e diante da forte pressão de seus pares para deixar o cargo.

A União Democrata-Cristã (CDU), de centro-direita, obteve 5% dos votos no estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental no domingo, segundo uma projeção das emissoras ARD e ZDF, apenas atingindo o limite de 5% necessário para obter cadeiras no parlamento estadual. O partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) conquistou 38,3% dos votos, segundo a projeção.

Na eleição de Berlim, a CDU, que governa a capital, foi derrotada pelo partido anticapitalista Die Linke, também conhecido como A Esquerda.

“Não dá para esconder, foi um desastre”, disse Merz a jornalistas em Berlim em um pronunciamento feito logo após a divulgação das pesquisas de boca de urna, rompendo com a prática comum dos chanceleres alemães de apenas se manifestarem no dia seguinte às eleições. Ele reuniu dirigentes da CDU na sede do partido para avaliar o apoio à sua liderança.

Duas semanas atrás, o establishment político alemão havia sido abalado pela surpreendente derrota da CDU para a AfD na Saxônia-Anhalt, outro estado do leste que pode dar origem ao primeiro governo estadual de extrema direita do país desde a Segunda Guerra Mundial.

Com o resultado de domingo, a CDU pode ficar pela primeira vez de fora de um parlamento estadual desde a fundação da República Federal da Alemanha, em 1949.

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Os resultados eleitorais representam um golpe para o governo de Merz, o chanceler alemão menos popular do pós-guerra, segundo as pesquisas de opinião. Diante disso, integrantes da base do partido passaram a defender a saída do chanceler após apenas 16 meses no cargo.

Na semana passada, oito governadores estaduais da CDU declararam apoio ao chanceler em uma tentativa de baixar a temperatura, mas muitos dirigentes do partido acreditam que a permanência dele na liderança apenas causará mais danos.

Pessoas ligadas ao partido têm afirmado que ele permanece no poder por enquanto, mas pode sair em breve. Merz cancelou a viagem planejada à Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, nesta semana.

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Ele se reunirá com mais líderes partidários hoje e parlamentares da bancada liderada pela CDU na terça-feira. O vice-chanceler alemão, Lars Klingbeil, um dos líderes do Partido Social-Democrata (SPD), afirmou que o governo precisa fazer uma reflexão e se perguntar por que os eleitores de Berlim rejeitaram suas políticas de governo.

Na capital, a coalizão de Merz não está conseguindo levar adiante seu plano de reforma previdenciária, nem convencer outras lideranças de que é necessário ampliar os investimentos em defesa e infraestrutura mesmo à custa de mais dívidas. “Isso é muito importante para mim”, disse Klingbeil à ARD.

“Acredito que precisamos olhar para resultados como estes com humildade e nos perguntar: o que podemos fazer diferente? O que podemos fazer melhor?” Eleição estadual foi mais uma demonstração de força da AfD, de extrema direita A eleição em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental foi a mais recente demonstração da força da AfD.

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O partido de extrema direita mais do que dobrou seu apoio e conquistou o estado pela primeira vez. O partido defende a deportação de imigrantes, rejeita o apoio militar à Ucrânia e faz constantes ataques ao establishment político.

A líder nacional da legenda, Alice Weidel, disse que Merz é o “chanceler errado” e que ele prejudica seu próprio partido. “Ele está arrastando a CDU para baixo com ele”, disse Weidel à ARD.

“A CDU precisa se perguntar, em especial agora, se quer continuar com este chanceler e com essas políticas de esquerda. Porque não vai ser possível continuar assim.”

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Mas a AfD enfrentou forte concorrência do SPD, que domina a política local há décadas e ficou pouco atrás, com 35,4% dos votos. Na Saxônia-Anhalt, a AfD conquistou quase 44% e pretende obter votos suficientes para eleger um governador no próximo mês. Manuela Schwesig, a popular governadora de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, disse ter o apoio da maioria dos eleitores do estado que se opõem à extrema direita.

“A AfD planejava conquistar uma maioria absoluta aqui e formar um governo de partido único”, disse Schwesig à ARD. “E sim, eu era ‘a mulher contra a onda azul’ encarregada de impedir isso, e conseguimos”, acrescentou, em referência à cor associada à AfD. Em Berlim, o partido de Merz, que governa a capital alemã desde 2023, ficou atrás do Die Linke.

O partido de esquerda, que fez campanha com foco no custo de vida, obteve 25,3% dos votos, enquanto a CDU ficou com 19,1%, segundo uma projeção da ARD. A principal candidata do Die Linke, Elif Eralp, filha de refugiados políticos, pode se tornar a primeira prefeita de origem turca. Ainda não estava claro qual partido conseguiria formar um governo, e uma possível coalizão poderia envolver os Verdes e o SPD. “A partir de hoje, vamos transformar Berlim juntos”, disse Eralp a eleitores após a divulgação dos primeiros resultados.

Ela afirmou que as pesquisas mostravam que havia “esperança por uma Berlim melhor e mais acessível”.

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