Chanceler alemão diz que Europa ainda não entendeu o verdadeiro objetivo de Putin

Segundo Friedrich Merz, a guerra na Ucrânia é apenas parte de uma estratégia mais ampla da Rússia para enfraquecer democracias e desestabilizar o continente

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Friedrich Merz após entrevista à Bloomberg Television, em Berlim, em 19 de outubro de 2026. Foto: Liesa Johannssen/Bloomberg
Friedrich Merz após entrevista à Bloomberg Television, em Berlim, em 19 de outubro de 2026. Foto: Liesa Johannssen/Bloomberg

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O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, alertou que a Europa está subestimando os riscos representados pela Rússia e afirmou que o presidente Vladimir Putin busca não apenas derrotar a Ucrânia, mas também enfraquecer as democracias europeias.

“A minha maior preocupação é o impacto russo subestimado sobre nossas sociedades”, disse Merz em entrevista à Bloomberg nesta segunda-feira. “A Rússia está no caminho para desestabilizar toda a ordem política do continente europeu.”

O governo alemão acusou Moscou de estar por trás de uma tentativa frustrada de ataque com drones a um aeroporto em Leipzig, em agosto, um dos vários incidentes recentes atribuídos à Rússia ou a aliados do Kremlin. Neste ano, Berlim também fechou o consulado russo em Bonn e o centro cultural Casa Russa, em Berlim, medida que levou Moscou a encerrar unidades do Goethe-Institut na Rússia.

Segundo Merz, muitos europeus, inclusive alemães, ainda não compreenderam a dimensão da ameaça.

“Eles não veem qual é o verdadeiro objetivo da Rússia”, afirmou. “Não se trata apenas de ganhos territoriais na Ucrânia. Eles temem a democracia, sociedades abertas e o sucesso da integração europeia.”

O chefe da agência de inteligência externa da Alemanha já havia alertado neste mês que o país se tornou um dos principais alvos de uma “guerra nas sombras” conduzida por Moscou, e que a ameaça russa assumiu um nível “novo e mais perigoso”.

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Merz também destacou que Alemanha e outros aliados europeus vêm financiando o esforço de guerra ucraniano sem ajuda dos Estados Unidos para custear equipamentos militares e defesa.

“É um grande esforço para nossos orçamentos e para a União Europeia”, disse. “Mas estamos fazendo isso e tentando manter esse apoio até o fim desta guerra terrível.”

O chanceler afirmou ainda que tenta convencer o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que uma Europa estável é do interesse estratégico de Washington.

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“Uma Europa estável, uma União Europeia forte e parceira no cenário global é algo valioso também para os americanos”, disse.

As declarações ocorrem em meio ao aumento das tensões entre Europa e Estados Unidos sobre a guerra na Ucrânia. Líderes europeus temem ter de sustentar sozinhos o apoio a Kiev, enquanto Trump adota posições vistas como mais favoráveis a Moscou.

Em entrevista à Bloomberg no domingo, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou Washington de pressionar a Ucrânia a aceitar concessões à Rússia. Segundo ele, houve redução deliberada da velocidade da rede Starlink utilizada pelas forças ucranianas e atrasos no envio de interceptadores Patriot.

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Merz afirmou que os governos europeus compreenderam a gravidade da situação e trabalham para fortalecer sua capacidade de defesa e reduzir a dependência dos Estados Unidos.

“Estamos ouvindo o alerta”, disse. “E tentando nos colocar em uma posição forte o suficiente para competir e nos defender de forma mais independente dentro da Otan.”

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