“Cepo” cambial, Beatles e até comida. Milei conversa com as pessoas na rede X

Presidente da Argentina avisou na rede social que tinha 20 minutos livres ante de ir ao desfile do Dia da Independência e respondeu sobre assuntos sérios e amenidades

Roberto de Lira

Presidente argentino Javier Milei
 (Foto: Leandro Bustamante Gomez/Reuters)
Presidente argentino Javier Milei (Foto: Leandro Bustamante Gomez/Reuters)

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Fazendo jus ao seu estilo mais informal no comando do país, o presidente da Argentina, Javier Milei, aproveitou um momento de folga antes de seguir para as comemorações do Dia da Independência nesta terça-feira (9) e abriu um canal direto de comunicação com a população, para responder a qualquer tipo de pergunta enviada via rede social X.

“Olá a todos! Tenho 20 minutos”, avisou antes de ser sabatinado pela população.

Alguns aproveitaram para tratar de temas mais sérios, como a possibilidade de o governo finalmente levantar as restrições internas para a compra e venda de dólares, o famoso “cepo”.

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Milei disse que, antes disso, são necessárias três condições em conjunto: “acabar com os passivos remunerados, terminar com os PUTs [opções de venda, ou os “seguros” detidos pelos bancos que investem em títulos do governo] e a convergência da inflação com a desvalorização em um ambiente próximo de zero mensal”, afirmou.

Ele também respondeu afirmativamente a uma questão sobre a Argentina querer avançar com o Mercosul para um acordo de livre comércio.

Ele confirmou ainda a intenção de mudar a embaixada da Argentina em Isarel para a parte ocidental de Jerusalém.

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Outra pessoa apenas fez um pedido: “reduza meus impostso que eu desapareço”, escreveu. “Estamos nisso”, respondeu Milei.

Beatles, ópera e comida

Mas as amenidades e curiosidades também dominaram a conversa. Um pessoa perguntou qual música dos Beatles ele tinha como favorita. Depois de vacilar um pouco (“mais de 20 me vêm à mente”), ele optou por “Let it Be”. Um pouco mais à frente na conversa, respondeu que tem como uma das músicas que sempre ouve “Here Comes the Sun”, citando a tradução (“Aquí llega el sol”).

Sobre suas operas preferidas, foi mais direto. “Lucía di Lammermoor de Donizetti, à qual está pau a pau com Norma de Bellini”.

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Sobre o livro que está lendo no momento, ele citou “Falácias da Justiça Social”, de Thomas Sowell.

Houve quem quisesse saber de suas preferências gastronômicas. “Churrasco (‘asado’) ou um milanesa com fritas”, peruntaram. “Preciso de coisas mais leves”, disse o presidente. Em outra questão, ele apresentou os motivos para recusar essas iguarias mais pesadas. “Vai um chocolate quente com churros?”, quis saber outro seguidor. “Impossível para o meu fígado”, alegou o presidente.

Voltando aos temas mais sérios, ele foi provocado a enviar uma mensagem para aqueles que acreditam na América Latian que “o comunismo é um progressismo”. “O socialismo é sempre em em  todo lugar un fenômeno empobrecedor”, escreveu Milei.

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Em outra pergunta, ele deu dicas sobre o que fará a partir do momento que sair da presidência. “Javito, que vai fazer depois de seus mandatos presidenciais?”. “Estar com meu filhinhos [se referindo provavelmente aos seus aos cães], estudar o Torah, ler, e escrever sobre economia e dar conferências”, respondeu, acrescentando alguns cifrões no final da resposta.

Antes de encerrar a interação, ele escreveu que “100 anos de decadência não podem ser consertados da noite para o dia” e que “em breve, mais cedo ou mais tarde, veremos bons resultados”.