Catar nega suborno em oferta de jato de R$ 2,2 bilhões a Trump

Doação de Boeing 747 a Trump ocorre em meio a acordos bilionários com os EUA e provocou reação de parlamentares democratas

Paulo Barros

O emir do Catar, xeque Tamim bin Hamad Al Thani, é recebido pelo vice-governador da região de Riad, Mohammed bin Abdulrahman bin Abdulaziz, ao chegar para participar da cúpula do GCC em Riad, Arábia Saudita, em 14 de maio de 2025. Agência de Imprensa Saudita/Divulgação via REUTERS
O emir do Catar, xeque Tamim bin Hamad Al Thani, é recebido pelo vice-governador da região de Riad, Mohammed bin Abdulrahman bin Abdulaziz, ao chegar para participar da cúpula do GCC em Riad, Arábia Saudita, em 14 de maio de 2025. Agência de Imprensa Saudita/Divulgação via REUTERS

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O primeiro-ministro do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, negou nesta terça-feira (20) que a oferta de um jato Boeing 747-8 avaliado em US$ 400 milhões (cerca de R$ 2,2 bilhões) ao presidente Donald Trump tenha como objetivo comprar influência junto ao governo dos Estados Unidos.

A declaração foi feita durante o Fórum Econômico do Catar, em Doha. Segundo o premiê, o gesto representa uma prática normal entre nações aliadas. “Vejo isso como algo normal que acontece entre aliados”, afirmou. Ele também criticou a percepção de que o Catar utilizaria sua riqueza para conquistar espaço político internacional: “Precisamos superar esse estereótipo de que o Catar, por ser rico em gás, só consegue se posicionar usando dinheiro”.

A doação do avião foi anunciada pouco antes da visita de Trump ao Golfo, ocasião em que o presidente destacou investimentos de centenas de bilhões de dólares vindos de Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e do próprio Catar. Entre os anúncios, está a intenção do país de adquirir até 210 aeronaves da Boeing — o que Trump classificou como o maior pedido da história da fabricante.

O próprio Trump defendeu a aceitação do jato como um “grande gesto”. Em resposta às críticas de congressistas democratas, que classificaram a medida como “corrupção escancarada”, o ex-presidente afirmou: “Eu apreciaria muito. Nunca seria alguém que recusaria esse tipo de oferta. Quero dizer, eu poderia ser estúpido e dizer ‘não, não queremos um avião grátis e muito caro’.”

Sheikh Mohammed disse ainda que os Estados Unidos têm uma necessidade temporária de substituir o Air Force One atual e que o Catar está disposto a colaborar com isso, destacando que vários países já ofereceram presentes significativos aos EUA no passado.

(com Financial Times)

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)