Casa Branca suaviza tom sobre Minneapolis; Trump diz não querer “americanos mortos”

Governo envia “czar da fronteira” Tom Homan a Minnesota, tenta calibrar discurso e enfrenta queda nas avaliações sobre imigração em meio a investigações e protestos

Gabriel Garcia

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, fala durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca, em Washington, D.C., EUA, em 26 de janeiro de 2026. REUTERS/Jonathan Ernst
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, fala durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca, em Washington, D.C., EUA, em 26 de janeiro de 2026. REUTERS/Jonathan Ernst

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A Casa Branca passou a adotar um tom mais ameno em relação à morte do enfermeiro Alex Pretti, baleado por agentes federais em Minneapolis, depois que a operação provocou protestos em massa e pressões para frear a ofensiva de deportações em Minnesota.

Em coletiva nesta segunda-feira (26), a porta-voz Karoline Leavitt afirmou que “ninguém na Casa Branca, incluindo o presidente Donald Trump, quer ver pessoas feridas ou mortas nas ruas dos Estados Unidos”, ao comentar os casos de Pretti e de Renee Nicole Good, outra cidadã americana morta por agentes federais na cidade.

A mudança de discurso contrasta com as primeiras reações dentro do próprio governo, quando integrantes da administração chegaram a chamar Pretti de “terrorista doméstico” e sugerir que ele pretendia “massacrar” agentes da lei.

Declarações da secretária de Segurança Interna, Kristi Noem — de que o enfermeiro estaria “brandindo” uma arma e teria reagido “violentamente” — passaram a ser contestadas após análises de vídeos feitas pela imprensa, que mostram Pretti com um telefone na mão no início da abordagem e indicam que um agente teria retirado uma arma dele antes dos disparos.

Em meio à escalada de tensão, Trump anunciou o envio de Tom Homan, o “czar” da fronteira de seu governo, para Minnesota, com a missão de coordenar as operações de imigração no estado e se reportar diretamente à Casa Branca.

O movimento ocorre enquanto Trump tenta reduzir o atrito com o governador democrata Tim Walz, com quem disse ter tido uma “ótima conversa” e sinalizou disposição para cooperar.

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Walz, por sua vez, cobra investigações independentes sobre as mortes em Minneapolis e afirma que o Departamento de Segurança Interna precisa garantir que órgãos estaduais possam conduzir apurações imparciais. Ao mesmo tempo, a Casa Branca segue atribuindo parte da crise à “resistência deliberada” de lideranças democratas locais às ações federais.