Cargueiro da Rússia naufragou com material nuclear para Coreia do Norte, diz TV

Cargueiro que teria como destino a Coreia do Norte sofreu explosões no Mediterrâneo e governo espanhol investiga omissão de dados e sumiço de caixa-preta

Victória Anhesini

Navio cargueiro no terminal de contêineres do porto de Kwai Tsing, em Hong Kong, em 16/04/2025. REUTERS/Tyrone Siu
Navio cargueiro no terminal de contêineres do porto de Kwai Tsing, em Hong Kong, em 16/04/2025. REUTERS/Tyrone Siu

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Um navio de carga russo que levava peças de reatores nucleares afundou no Mar Mediterrâneo, a cerca de 60 milhas do litoral da Espanha, após sofrer explosões a bordo. Chamado de Ursa Major, o naufrágio ocorreu no dia 23 de dezembro de 2024, segundo informações da CNN Internacional. 

Segundo a reportagem da emissora, os equipamentos eram “componentes de dois reatores nucleares semelhantes aos usados em submarinos” e poderiam estar sendo traficados para a Coreia do Norte.

O governo da Espanha ratificou que o comandante da embarcação informou a existência de peças de reatores a bordo. Em nota enviada ao Congresso, Madri afirmou que o capitão reconheceu que os itens eram “componentes de dois reatores nucleares semelhantes aos usados em submarinos”, mas tinha incerteza sobre o transporte de combustível atômico.

Inconsistências no trajeto

A rota e os dados da viagem são pontos centrais da investigação. O Ursa Major iniciou o trajeto no porto de Ust-Luga, no golfo da Finlândia, e fez paradas em São Petersburgo. 

Oficialmente, o destino seria Vladivostok, na Rússia, e o manifesto de carga listava apenas dois guindastes, 129 contêineres sem mercadoria e dois objetos identificados como “tampas de escotilha”.

De acordo com as autoridades espanholas, o cargueiro reduziu a velocidade em águas territoriais do país antes de emitir o pedido de ajuda. Os investigadores notaram que, inicialmente, os tripulantes afirmaram que a situação estava normal, mas o navio mudou o curso no dia seguinte e enviou um sinal de emergência após três detonações no lado direito, que causaram a morte de dois marinheiros.

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Atividade militar após o naufrágio

A CNN reportou que o navio militar russo Ivan Gren, que fazia a escolta, disparou sinalizadores de cor vermelha e, logo depois, houve quatro explosões. 

A Rede Sísmica Nacional da Espanha confirmou ao jornal que registrou sinais compatíveis com detonações em pedreiras ou uso de minas submarinas. Além disso, houve registros de tráfego aéreo na região, com aviões militares dos EUA sobrevoaram a área do acidente em duas ocasiões. 

A reportagem informou que um modelo WC135-R, utilizado para detectar partículas nucleares, esteve no local em 28 de agosto de 2025 e em 6 de fevereiro de 2026. 

Um representante da base americana afirmou que a instituição não fornece detalhes sobre itinerários de missões.

A Oboronlogistics, estatal russa proprietária do cargueiro, sustenta que o navio foi alvo de um ataque e mencionou avarias na estrutura. Porém, dias depois do ocorrido, a empresa declarou que houve uma “ação terrorista direcionada” e afirmou que o convés ficou repleto de fragmentos de metal.

As circunstâncias da situação continuam sem esclarecimentos oficiais.

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