Câmara dos EUA abre investigação sobre Uber após denúncias de abusos sexuais

Parlamentares questionam transparência da empresa após dados revelarem centenas de milhares de casos

Marina Verenicz

Logo da Uber
20/01/2023
REUTERS/Arnd Wiegmann
Logo da Uber 20/01/2023 REUTERS/Arnd Wiegmann

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Uma subcomissão da Câmara dos Estados Unidos decidiu investigar como a Uber lida com relatos de agressão sexual e má conduta em sua plataforma. A medida surge semanas depois de o New York Times publicar uma reportagem que revelou a dimensão do problema: segundo documentos judiciais, entre 2017 e 2022 houve registros de incidentes em mais de 400 mil viagens, o que equivale a quase um caso a cada oito minutos.

A empresa, em relatórios anteriores, havia informado apenas 12,5 mil episódios classificados como graves, sem detalhar o número total de denúncias. Para parlamentares, a discrepância levanta dúvidas sobre a precisão e a integridade dos dados de segurança divulgados ao público.

Pressão política

A deputada Nancy Mace, republicana da Carolina do Sul e presidente do subcomitê de segurança cibernética e tecnologia, enviou carta ao CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, cobrando explicações.

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Segundo ela, os números apontam para um “risco persistente à segurança dos usuários” e reforçam a necessidade de ferramentas de proteção mais eficazes.

Em nota, a Uber afirmou estar disposta a colaborar com o Congresso e destacou que 99,9% das viagens nos Estados Unidos ocorrem sem incidentes.

A empresa também defende que parte das queixas é de menor gravidade, como comentários ou linguagem inadequada, e que alguns relatos podem ser incorretos ou fraudulentos.

A investigação do Times mostrou que a Uber testou recursos considerados promissores para reduzir riscos, como gravação obrigatória de vídeo, algoritmos para cruzamento de perfis e programas que conectam passageiras a motoristas mulheres. Muitos desses projetos, no entanto, não foram implementados de forma ampla.

Disputa judicial crescente

A Uber responde atualmente a mais de 3 mil processos nos Estados Unidos movidos por passageiros que alegam ter sido vítimas de motoristas. Sua principal concorrente, a Lyft, também enfrenta centenas de ações. A grande questão é se as empresas devem ser responsabilizadas juridicamente pela conduta de seus motoristas.

Nesta semana, um tribunal da Califórnia ouviu as alegações finais do primeiro processo coletivo estadual contra a Uber.

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Documentos apresentados no julgamento trouxeram dados atualizados, indicando que entre 2017 e 2024 houve mais de 558 mil relatos de agressão sexual ou má conduta em corridas da plataforma, com aumento em 2024 em relação ao ano anterior.