Calor extremo gerou queda de 40% na população de pássaros tropicais, diz estudo

Pesquisa revela que eventos climáticos extremos têm provocado um declínio alarmante nas populações de aves tropicais, ameaçando a biodiversidade e exigindo ações urgentes de conservação

Gabriel Garcia

Pássaro em lagoa seca em Navarro, província de Buenos Aires, na Argentina (Foto: Agustin Marcarian/ Reuters)
Pássaro em lagoa seca em Navarro, província de Buenos Aires, na Argentina (Foto: Agustin Marcarian/ Reuters)

Publicidade

Um estudo realizado pela Universidade de Queensland, na Austrália, em parceria com o Centro de Supercomputação de Barcelona, na Espanha, revelou que as mudanças climáticas são responsáveis por uma queda de quase 40% na abundância média de espécies de pássaros tropicais desde 1950.

Publicada na revista Nature Ecology & Evolution, a pesquisa aponta que eventos climáticos extremos, como ondas de calor prolongadas, secas e inundações, têm impactado diretamente a fertilidade, os hábitos reprodutivos e a sobrevivência desses animais.

A análise utilizou dados abertos de populações de cerca de 3.000 espécies de aves ao redor do mundo, coletados entre 1950 e 2020.

Por meio de modelagem estatística, os pesquisadores conseguiram identificar como as populações dessas aves foram afetadas após eventos climáticos anormais, destacando que as espécies tropicais são particularmente vulneráveis a essas condições extremas.

Segundo o professor James Watson, da Universidade de Queensland e um dos coordenadores do estudo, os eventos climáticos severos são o principal fator para o declínio das aves tropicais, superando o impacto gradual das mudanças climáticas.

O estudo também destaca que aves que habitam savanas tropicais secas, como as do norte da Austrália, enfrentam riscos ainda maiores devido à volatilidade das fontes de água e ao aumento da frequência de ondas de calor e incêndios.

Continua depois da publicidade

Além do impacto climático, outras atividades humanas, como desmatamento e caça, também contribuem para a redução das populações de aves, embora em menor escala.

O estudo chama atenção para quedas significativas em áreas remotas, como florestas tropicais da Amazônia e Panamá, onde a presença humana é mínima, indicando que o clima é um fator decisivo para o declínio.

Para garantir a sobrevivência dessas espécies, os pesquisadores reforçam a importância de proteger os habitats naturais e manter populações saudáveis, capazes de resistir aos eventos climáticos extremos.

O professor Watson ressalta que, apesar dos desafios, as aves possuem mecanismos internos para se adaptar a mudanças climáticas, desde que tenham condições adequadas para isso.

A preservação ambiental, portanto, é fundamental para evitar que o cenário se torne ainda mais crítico.