Brasil quer metas de emissões mais rígidas antes da cúpula climática, dizem fontes

O presidente Lula e o secretário-geral da ONU, António Guterres, agendaram uma reunião online nesta quarta (23) com líderes das 35 maiores economias do mundo para debater o tema

Reuters

Fumaça sai de torre de resfriamento de usina de energia movida a gás em Bouchain, no norte da França
12/12/2022 REUTERS/Pascal Rossignol
Fumaça sai de torre de resfriamento de usina de energia movida a gás em Bouchain, no norte da França 12/12/2022 REUTERS/Pascal Rossignol

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BRASÍLIA (Reuters) – O Brasil, anfitrião da cúpula climática das Nações Unidas deste ano, tem como objetivo persuadir Europa, China e outras economias em desenvolvimento a se comprometerem a reduzir as emissões de gases de efeito estufa o suficiente para manter o aquecimento global bem abaixo de 2 graus Celsius, disseram à Reuters três pessoas com conhecimento dos planos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o secretário-geral da ONU, António Guterres, agendaram uma reunião online fechada nesta quarta-feira (23) para conversar com líderes das 35 maiores economias do mundo sobre compromissos mais fortes.

O embaixador brasileiro e presidente da COP30, André Corrêa do Lago, esteve na semana passada em Pequim, onde discutiu as promessas nacionais com autoridades chinesas.

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Ele disse que alinhar as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) com o Acordo de Paris não é uma meta estritamente brasileira, porque cada nação estabelece sua própria meta, mas o Brasil está incentivando os países a chegarem lá.

“Não estamos onde Paris recomendou”, acrescentou. “Esperamos que os números se aproximem.”

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

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A cúpula climática global deste ano, COP30 que será realizada na cidade de Belém em novembro, marca o 10º aniversário do Acordo de Paris, quando os signatários concordaram em limitar o aquecimento a bem menos de 2 graus Celsius em relação aos níveis pré-industriais.

Até agora, porém, os países só se comprometeram a limitar o aquecimento a cerca de 2,6 graus Celsius, um nível catastrófico que, segundo os cientistas, poderia levar ao colapso de vários sistemas naturais dos quais os seres humanos dependem.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirou seu país, a maior economia do mundo, do Acordo de Paris, de modo que será difícil fechar a lacuna. Diplomatas brasileiros esperam que isso seja possível com um compromisso mais ambicioso da China, o maior poluidor do mundo, bem como de outras economias emergentes e da Europa.

Diplomatas brasileiros estão trabalhando em estreita colaboração com autoridades da ONU para incentivar os países a apresentarem novas metas de emissões, as NDCs, até setembro. A maioria dos países não cumpriu o prazo de fevereiro.

“Em princípio, Belém entrará para a história como a COP com NDCs abaixo de 1,5 ou 2 graus”, disse uma das fontes, que pediu anonimato para discutir dinâmicas diplomáticas sensíveis.

Dada a importância da China para as negociações sobre o clima global, o Brasil está dando mais ênfase ao tema como presidente este ano do Brics, que inclui a China e outras grandes economias em desenvolvimento.

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Lula deve se encontrar pessoalmente com o presidente da China, Xi Jinping, pelo menos duas vezes antes do prazo final de setembro para novas promessas, inclusive em uma reunião de junho dos líderes do Brics no Brasil.

A China não deu indicações de que planeja aumentar sua meta, e sua economia tem mostrado sinais de enfraquecimento devido a uma guerra comercial punitiva com os EUA.

“As preocupações econômicas que estão limitando a NDC da China ainda existem, se não estiverem exacerbadas pelas tarifas de Trump”, disse Yao Zhe, consultora de políticas globais do Greenpeace em Pequim.

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O Ministério das Relações Exteriores da China não comentou especificamente sobre os planos do país para sua meta de emissões.

“A governança climática está atualmente enfrentando ventos contrários. Somente com o fortalecimento do multilateralismo e da cooperação internacional é que poderemos tratar efetivamente das questões globais”, afirmou porta-voz do ministério em um comunicado.

(Reportagem de Manuela Andreoni em São Paulo e Lisandra Paraguassu em Brasília; Reportagem adicional de Colleen Howe em Pequim e David Stanway em Cingapura)