Brasil na ONU: “Exploração de recursos não justifica mudança ilegal de governo”

O texto lido pelo representante do Brasil na ONU diz que o ataque à Venezuela "define um precedente perigoso para toda a comunidade internacional"

Sara Baptista

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5 de janeiro de 2026 - Reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU sobre ataque dos EUA à Venezuela. Foto: UN Photo/Mark Garten
5 de janeiro de 2026 - Reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU sobre ataque dos EUA à Venezuela. Foto: UN Photo/Mark Garten

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O governo brasileiro condenou veementemente, nesta segunda-feira (5), o ataque dos Estados Unidos à Venezuela do último sábado (3) e a captura do presidente Nicolás Maduro. Em discurso na sessão extraordinária do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), o país afirmou que “a exploração de recursos naturais não justifica o uso da força ou mudança ilegal de governo”.

O texto, lido pelo representante do Brasil no fórum, trouxe críticas categóricas à atuação dos americanos na região, sob o comando de Donald Trump, dizendo que o ataque “define um precedente perigoso para toda a comunidade internacional” e que “aceitar este ataque levaria a um cenário de erosão do multilateralismo.”

“Não podemos aceitar o argumento de que os fins justificam os meios. Esta justificativa não tem legimitidade e abre a possibilidade de os mais fortes definirem o que é justo e injusto, certo ou errado e até de ignorar soberanias nacionais, impondo decisões aos mais fracos”, afirmou o diplomata.

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Ele também afirmou que a “América do Sul é uma zona de paz” e relembrou, sem citar explicitamente as ditaduras o Brasil, Argentina e Chile, que países da região já foram alvo de intervenção externa no passado, com “profundas e duradouras consequências”.

O Brasil reiterou que a soberania e a autodeterminação do povo venezuelano deve ser respeitada e cobrou o Conselho de Segurança: “Este Conselho deve assumir sua responsabilidade e reagir com determinação, clareza e obediência à lei internacional para impedir que a lei da força prevaleça sobre a força da lei.”

Nicolás Maduro foi capturado por agentes americanos no último sábado e levado para Nova York. Nesta segunda (5), ele passa por sua primeira audiência, na qual se declarou inocente da acusação de narcoterrorismo.