Bombardeio causa terror em Teerã, sem sinais de protestos

Moradores relatam pânico, falta de energia e ruas desertas com postos de controle em cada esquina, enquanto civis tentam fugir do Irã em meio à destruição generalizada

Reuters

Ataques sobre Teerã no domingo. Crédito: Arash Khamooshi/The New York Times
Ataques sobre Teerã no domingo. Crédito: Arash Khamooshi/The New York Times

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DUBAI, 3 Mar (Reuters) – Moradores ⁠aterrorizados de Teerã descreveram a ⁠capital do Irã como uma cidade fantasma nesta ‌terça-feira, com suas ruas praticamente vazias devido a uma barragem de mísseis dos Estados Unidos e de ‌Israel, exceto pelos postos de controle de segurança e pelas patrulhas da Guarda Revolucionária que percorrem a cidade.

Os ataques aéreos mataram centenas de iranianos desde sábado, enquanto os líderes israelenses e norte-americanos expressaram esperanças ⁠de ‌que eles provocassem uma revolta, mas a Reuters ⁠não encontrou evidências de que isso fosse iminente em conversas telefônicas com pessoas em todo o país.

‘Há postos de controle em todas as ruas e becos’, disse Fariba Gerami, 27, que ​trabalha para uma empresa no norte de Teerã, onde seu marido administra uma pequena cafeteria.

Os cortes ​de eletricidade e água desde o início do bombardeio aumentaram ainda mais seus temores e, à noite, ela e seus amigos temem que ladrões invadam seus apartamentos, disse ela.

A família planeja deixar ‌o Irã assim que for seguro, ​mas eles se preocupam com a segurança nas estradas, acrescentou ela.

Seu relato foi corroborado por dois iranianos que chegaram à Turquia ⁠através de uma ​passagem de fronteira ​na terça-feira e descreveram cenas de tensão e medo na capital.

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‘As ⁠crianças gritavam e choravam’, disse ​um iraniano, que não quis revelar seu nome, acrescentando que as estruturas civis atingidas pelos ataques provocaram medo ​nos moradores da cidade.

O segundo homem disse que a destruição era generalizada. ‘Vimos muitos prédios destruídos, ​especialmente no ⁠caminho para sair do país. Havia vários prédios, vários carros e ruas ⁠destruídas. As pessoas estão em pânico para sair do país. Elas não sabem o que fazer’, disse ele.

(Reportagem de Parisa Hafezi, em Dubai; Reportagem adicional de Ismet Mikailogullari, em Kapikoy, Turquia, e Ali Kucukgocmen, em ​Istambul)

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