BC e BCE estudam integração entre Pix e pagamento instantâneo europeu, dizem fontes

As fontes afirmaram que as discussões refletem a disposição das equipes técnicas de ambos os lados em avaliar se tal interconexão é viável

Publicidade

BRASÍLIA, 3 Set (Reuters) – ⁠O Banco Central do Brasil (BC) e o ⁠Banco Central Europeu (BCE) estão analisando uma possível integração entre ‌seus sistemas de pagamentos instantâneos, segundo duas pessoas com conhecimento direto do assunto, em iniciativa que poderá marcar a primeira ‌expansão transfronteiriça do Pix.

As fontes, que falaram sob condição de anonimato, afirmaram que as discussões refletem a disposição das equipes técnicas de ambos os lados em avaliar se tal interconexão é viável. Uma das fontes disse que um projeto-piloto poderá ser ⁠lançado ‌em 2028, caso a iniciativa avance conforme o planejado.

O jornal ⁠Folha de S. Paulo noticiou as discussões primeiramente na manhã desta quinta-feira.

O BCE afirmou em comunicado à Reuters que há uma investigação preliminar em andamento para explorar uma possível interconexão entre sua plataforma TARGET Instant Payment Settlement (TIPS) ​e o Pix. Em junho, o BCE identificou o Pix como um ‘corredor de moeda em fase de exploração’ para ​o TIPS.

O BC se negou a comentar.

O Pix tornou-se um ponto de atrito entre Brasília e Washington, conforme o governo Trump busca proteger as empresas americanas do crescente apelo do modelo em dezenas de países.

Continua depois da publicidade

O Pix já domina os ‌pagamentos no Brasil, com custos de transação ​significativamente mais baixos para os comerciantes, contornando grande parte da cadeia tradicional de pagamentos com cartão.

Desde seu lançamento no final de 2020, o Pix transformou ⁠o cenário de ​pagamentos do país, ​trazendo dezenas de milhões de pessoas para o sistema financeiro e, ao mesmo tempo, ⁠reduzindo a participação dos cartões ​de débito e crédito, afetando redes globais de cartões como Mastercard e Visa.

A plataforma foi citada entre as “práticas desleais” que os EUA ​utilizaram para justificar novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros em julho.

Continua depois da publicidade

No mês passado, o BC informou que ​estava avaliando as ⁠ligações entre o Pix e sistemas de pagamento semelhantes no exterior, sinalizando um impulso ⁠mais concreto em direção à integração transfronteiriça. O BC assinou acordos de compartilhamento de informações sobre o Pix com 65 contrapartes estrangeiras.

Isso aumentou o mal-estar em Washington, em meio a discussões nas principais economias emergentes sobre a redução da dependência do dólar ​norte-americano.