Publicidade
Neste sábado, o exército israelense matou dois palestinos em Gaza e destruiu dois armazéns próximos a um hospital — onde supostamente eram armazenados medicamentos — em ataques distintos, em meio à incerteza sobre se Israel aceitou o acordo firmado com o Hamas para o desarmamento do grupo.
Autoridades de saúde palestinas informaram que dois palestinos foram mortos em um ataque aéreo israelense na área de Sheikh Radwan, na Cidade de Gaza, região central da Faixa de Gaza. Um porta-voz militar afirmou que os alvos eram militantes do Hamas, mas se recusou a dar mais detalhes.
Em um incidente anterior, um ataque aéreo israelense destruiu dois armazéns usados para armazenar medicamentos do Hospital dos Mártires de Al-Aqsa, em Deir al-Balah, no sul de Gaza, informou o Ministério da Saúde palestino em comunicado.
Horas depois do ataque, o exército israelense afirmou ter atingido um esconderijo do Hamas perto do hospital, usado pelo grupo para guardar armas. Outros locais em Gaza também utilizados pelo Hamas para o mesmo fim foram atingidos, segundo um comunicado militar.
Os militares afirmaram que os ataques foram ordenados pela agência de inteligência Shin Bet, mas não divulgaram provas que corroborassem a alegação de que o Hamas armazenava armas em qualquer um dos locais.
Imagens da Reuters sobre o ataque em Deir al-Balah mostraram uma cratera de vários metros de largura no local da explosão, com destroços espalhados pela área — incluindo o que pareciam ser suprimentos médicos — perto de um acampamento de tendas densamente povoado.
Outros dois armazéns que armazenavam medicamentos, além do ambulatório do hospital, foram danificados no ataque, informou o Ministério da Saúde palestino. Não houve relatos imediatos de feridos.
O hospital informou que os armazéns guardavam suprimentos médicos essenciais usados no tratamento de pacientes com insuficiência renal em diálise, além de outros materiais, como gaze para tratamento de feridas e procedimentos de rotina.
“A ocupação israelense cometeu um crime hediondo”, disse Khalil al-Daqran, médico do hospital, sobre o ataque.
Continua depois da publicidade
“No meio da noite, (os militares) atacaram um armazém que continha suprimentos médicos para o hospital, e a ocupação o destruiu completamente”, afirmou à Reuters.
Testemunhas disseram que os militares emitiram um alerta de retirada para a área antes de realizar o ataque em Deir al-Balah.
Hospitais e outros locais civis são protegidos pelo direito internacional humanitário, embora essa proteção possa ser suspensa se forem usados para fins militares. As Forças Armadas de Israel afirmam que o Hamas e outros grupos armados operam a partir de áreas e instalações civis, incluindo hospitais.
Continua depois da publicidade
Fatima Sharab, de 34 anos, mãe palestina deslocada com dois filhos que vive em uma tenda perto dos armazéns, disse que o ataque destruiu tendas que abrigavam de 60 a 70 pessoas.
Muitas das pessoas que precisavam de atendimento médico estavam abrigadas ali para ficarem perto do hospital, disse Sharab.
Desde que concordou com um cessar-fogo mediado pelos EUA em outubro passado, Israel continuou a realizar ataques contra Gaza, matando 1.222 palestinos nos últimos nove meses. Autoridades de saúde palestinas afirmam que muitas das vítimas eram mulheres e crianças. O Hamas raramente divulga suas baixas.
Continua depois da publicidade
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse na quinta-feira que houve um avanço em seu plano para encerrar a guerra, que Israel e o Hamas concordaram no ano passado e que começou com o cessar-fogo.
Trump afirmou que o Hamas — que governou Gaza por quase duas décadas antes de realizar o ataque de 7 de outubro de 2023 contra Israel, que desencadeou a guerra — concordou em depor as armas.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ainda não se pronunciou publicamente, enquanto seu ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, classificou o acordo como inaceitável e defendeu que Israel continue executando sua política de assassinato de líderes do Hamas.
Continua depois da publicidade
O Conselho de Paz de Trump, criado para implementar seu plano para o fim da guerra em Gaza, divulgou na quinta-feira um roteiro que descreve os passos finais para a execução da iniciativa. O documento afirma que Israel cessará as operações militares como parte de seu compromisso com o plano de 20 pontos de Trump, assinado no ano passado.