ASSISTA: Ataques com carro-bomba e drone deixam ao menos 18 mortos na Colômbia

Episódio estaria relacionado a tensões entre o governo e o crime organizado do tráfico de drogas; prefeito de Cali decretou lei marcial na cidade

Paulo Barros

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Dois ataques distintos na Colômbia deixaram ao menos 18 mortos e dezenas de feridos na noite de quinta-feira (21), em um dos episódios mais violentos desde a assinatura do acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), em 2016.

De acordo com autoridades locais, um helicóptero da polícia foi atingido por um drone quando sobrevoava uma área rural de Antioquia, no norte do país, em operação de erradicação de plantações de coca. Os 12 agentes a bordo morreram. O Ministério da Defesa classificou a ação como “terrorista” e atribuiu a autoria ao EMC, maior facção dissidente das Farc.

Horas depois, um carro-bomba explodiu próximo à Escola de Aviação Militar Marco Fidel Suárez, em Cali, no oeste colombiano. A detonação matou seis pessoas e deixou mais de 60 feridos, segundo balanço da prefeitura. Testemunhas relataram destruição de casas e veículos na região.

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O prefeito de Cali, Alejandro Eder, decretou lei marcial na cidade, proibiu temporariamente a circulação de caminhões pesados e anunciou recompensa de US$ 10 mil por informações sobre os responsáveis.

Membros de uma equipe forense removem um corpo próximo aos escombros após a explosão de um veículo de carga perto de uma base da Força Aeroespacial Colombiana, em um dos dois ataques atribuídos a grupos dissidentes das FARC que causaram várias vítimas, segundo autoridades, em Cali, Colômbia, em 21 de agosto de 2025. REUTERS/Stringer

O presidente Gustavo Petro afirmou que os atentados foram organizados por dissidentes das Farc e convocou um conselho de segurança para definir novas medidas de proteção. Em mensagem inicial, havia atribuído a queda do helicóptero ao grupo criminoso conhecido como Clã do Golfo, mas posteriormente a investigação foi direcionada às dissidências da antiga guerrilha.

O Ministério da Defesa declarou em rede social que “o Estado não cederá ao terrorismo” e que os responsáveis serão punidos “com todo o peso da lei”.

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Um soldado patrulha o perímetro de uma cena após a explosão de um veículo de carga perto de uma base da Força Aeroespacial Colombiana, em um dos dois ataques atribuídos a grupos dissidentes das FARC que causaram várias vítimas, segundo autoridades, em Cali, Colômbia, em 21 de agosto de 2025. REUTERS/Stringer

A violência ocorre em meio à expansão das áreas de cultivo de coca no país, que atingiram um recorde de 253 mil hectares em 2023, segundo relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime.

Nos últimos meses, ataques com drones têm se multiplicado na Colômbia. Somente em 2024, foram registrados 115 incidentes do tipo, de acordo com dados oficiais. Na semana passada, três militares morreram após explosivos serem lançados sobre um posto de controle no sudoeste do país.

(com AFP e BBC)

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)