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O míssil balístico russo Oreshnik que atingiu a cidade ucraniana de Lviv não carregava explosivos e não atingiu nenhum alvo militar, indicando que seu objetivo era coagir, e não causar grandes danos.
O míssil atingiu áreas residenciais em Lviv na noite de quinta-feira, segundo autoridades ucranianas. Não houve vítimas, embora infraestruturas críticas tenham sido danificadas, afirmou o prefeito Andriy Sadovyi em vídeo.
Quando a Rússia lançou outro Oreshnik contra a Ucrânia em 2024, notificou os EUA — que possuem satélites capazes de detectar lançamentos de mísseis em qualquer lugar do mundo — para evitar que o ataque fosse interpretado como um ataque nuclear. Não está claro se esse protocolo foi seguido na última quinta-feira.
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O fato de o míssil ter ogivas vazias, ter sido lançado do campo de testes Kapustin Yar, na Rússia, e não ter atingido alvo militar sugere que está sendo usado como arma de terror ou pressão, disse Mick Ryan, general aposentado do Exército australiano e pesquisador sênior do Lowy Institute.
“É uma ferramenta de coerção estratégica, direcionada à administração Trump, governos europeus e à Ucrânia,” afirmou Ryan. “Putin tem sofrido algumas derrotas recentemente — ele precisa mostrar aos russos e a outras nações autoritárias que a Rússia ainda é uma potência.”
A Rússia está irritada com os avanços dos EUA e da Ucrânia em garantias de segurança e tem uma janela curta para agir, dada sua crescente crise econômica, disse um diplomata europeu que pediu anonimato devido à sensibilidade do tema. O porta-voz do governo alemão, Steffen Meyer, classificou o ataque como uma nova escalada da agressão russa.
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O Ministério da Defesa russo afirmou que o ataque foi uma resposta a uma suposta tentativa ucraniana de atingir a residência do presidente Vladimir Putin. Autoridades de segurança dos EUA duvidam das alegações russas, e uma avaliação da CIA não encontrou evidências de tal tentativa. A Ucrânia negou qualquer ataque à residência.
O Oreshnik é único por poder carregar múltiplos veículos de reentrada independentes e não nucleares — ogivas protegidas por escudo térmico que são liberadas no espaço. Elas não são precisas, pois foram projetadas para ogivas nucleares, que não precisam atingir diretamente o alvo. Esses veículos são comuns em mísseis intercontinentais e outras armas nucleares.
Autoridades locais em Lviv mediram os níveis de radiação após o ataque e não encontraram nada anormal.
MIRVs são difíceis de interceptar após serem liberados do corpo do míssil, por isso armas como o Oreshnik devem ser destruídas enquanto estão no espaço. A Ucrânia não possui meios nem radares para isso.
Baterias Aegis Ashore na Polônia e Romênia, equipadas com interceptadores SM-3 Block IIA, poderiam interceptar o Oreshnik, assim como os sistemas Arrow 3 da Alemanha. Mas partes do míssil poderiam cair na Rússia, ou pior: esses lançamentos pareceriam ataques de mísseis balísticos contra a Rússia, disse William Alberque, pesquisador sênior do Pacific Forum.
“Basicamente, você está disparando um míssil balístico contra território russo,” afirmou Alberque. “Atacar mísseis vindos da Polônia significa um alvo sensível, com 100% de chance de algo cair na Rússia de um jeito ou de outro.”
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O Oreshnik foi desenvolvido a partir do míssil balístico RS-26, que foi testado, mas não entrou no arsenal russo. Não se sabe quantos sistemas Oreshnik a Rússia possui, mas ele foi usado apenas uma vez antes, contra a cidade de Dnipro em novembro de 2024.
Em ambos os casos, nada de valor militar foi atingido, e a relativa imprecisão dos MIRVs dificulta atingir alvos menores que um quarteirão.
“É uma arma de terror,” concluiu Alberque.
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