Ascensão de Mojtaba indica possível endurecimento do regime no Irã, diz especialista

Novo líder do país é frequentemente descrito como representante da ala mais rígida do establishment iraniano

Estadão Conteúdo

Mojtaba Khamenei, o segundo filho do Líder Supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, visita o escritório do Hezbollah em Teerã, Irã, em 1º de outubro de 2024. Escritório do Líder Supremo Iraniano/WANA (Agência de Notícias da Ásia Ocidental)/Divulgação via REUTERS/Foto de Arquivo
Mojtaba Khamenei, o segundo filho do Líder Supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, visita o escritório do Hezbollah em Teerã, Irã, em 1º de outubro de 2024. Escritório do Líder Supremo Iraniano/WANA (Agência de Notícias da Ásia Ocidental)/Divulgação via REUTERS/Foto de Arquivo

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Na leitura de Felipe Sant’Anna, especialista em ações da Axia Investing, a ascensão de Mojtaba Khamenei à líder supremo do Irã, mais do que um cenário de continuidade pode ser um “endurecimento” da linha política estabelecida por seu pai, Ali Khamenei, que morreu na semana passada no início dos ataques dos Estados Unidos contra o país.

Integrado há anos aos círculos mais conservadores do regime e com forte ligação com a Guarda Revolucionária, Mojtaba é frequentemente descrito como representante da ala mais rígida do establishment iraniano.

“Diante do atual cenário de confrontos militares envolvendo o país e da morte de seu pai em uma operação militar, a tendência pode ser de manutenção ou até intensificação dessa postura”, observa.

Na sua visão, a indicação também expõe de forma mais clara quem pode assumir o comando do país no futuro, tornando-o uma figura central no cenário político iraniano.

“Ao mesmo tempo, os desdobramentos recentes no fim de semana, incluindo ataques de Israel a estoques de petróleo do Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz, aumentam a atenção sobre possíveis impactos no mercado internacional de energia”, diz Sant’Anna.

Nesse contexto, ainda conforme o especialista, a expectativa se volta especialmente para a reação dos mercados e para a abertura dos futuros do petróleo, já que a combinação entre tensões militares, restrições logísticas na região e a possibilidade de uma liderança ainda mais alinhada à linha dura do regime pode pressionar o preço do barril.

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Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a ameaçar mais retaliações se o nome escolhido não tivesse a sua aprovação prévia. “Se não tiver nossa aprovação, não vai durar muito tempo”, afirmou Trump ao canal americano ABC News.

Israel já afirmou que qualquer novo líder iraniano poderá se tornar alvo militar.