Publicidade
O aquecimento global aumentou a ameaça à saúde na Europa causada pela doença tropical debilitante chikungunya, transmitida por picadas de mosquito. A conclusão é de estudo do britânico Centro para a Ecologia e Hidrologia (UKCEH, na sigla em inglês). Segundo as novas descobertas, o vírus pode se espalhar em temperaturas entre 13 e 14 graus Celsius, enquanto pesquisas anteriores indicavam um mínimo de 16 a18 graus Celsius.
Os pesquisadores dizem que agora há risco de surtos locais de chikungunya em mais áreas e por períodos mais longos do que se pensava anteriormente.
Leia também: Brasil concentra 96% dos casos de chikungunya nas Américas, diz OMS
Continua depois da publicidade
O estudo traz um mapa mostrando a extensão do risco de chikungunya em áreas de 10 km quadrados por toda a Europa, incluindo o Reino Unido. O mapa de risco mostra que a ameaça de transmissão do vírus pode durar vários meses do ano em regiões mais quentes do continente, onde o mosquito-tigre asiático (Aedes Albopictus) já está estabelecido.
Houve números recordes de surtos locais de chikungunya na França e na Itália em 2025, e o mosquito-tigre asiático também tem sido responsável pelo aumento dos casos de dengue nesses países nos últimos anos. Essa espécie de mosquito é detectada apenas ocasionalmente no sudeste da Inglaterra e ainda não está estabelecida – por conta disso o risco atual de transmissão local no Reino Unido permanece muito baixo, embora o sudeste da Inglaterra possa registrar aumento de casos.
O primeiro surto conhecido do vírus CHIKV foi relatado na Tanzânia em 1952, e o vírus atualmente afeta a saúde pública em mais de 110 países da Ásia, África, Europa e Américas [4]. Até 8 de novembro de 2024, aproximadamente 480.000 casos de CHIKV e 190 mortes foram registrados no mundo todo, afetando 23 países.
Desde sua introdução no sul da Europa, detectada em 2007, o mosquito transmissor se espalhou para regiões centrais e do norte e agora é o vetor principal do CHIKV na Europa. O primeiro surto de chikungunya transmitido localmente na Europa ocorreu na Itália em 2007, seguido por vários eventos esporádicos, incluindo grandes surtos na Itália e na França em 2017. Mais recentemente, em novembro de 2024, um caso transmitis localmente foi registrado na França continental.
O pesquisador Sandeep Tegar, que liderou o estudo do UKCEH, disse em nota que a Europa está se aquecendo rapidamente, e que o mosquito-tigre está gradualmente se expandindo para o norte pelo continente. “O limite de temperatura mais baixo que identificamos, portanto, resultará em mais áreas – e mais meses do ano – se tornando potencialmente adequados para transmissão”, detalha.
Segundo ele, identificar locais específicos e os meses de possível transmissão permitirá que as autoridades locais decidam quando e onde agir para reduzir o risco — ou a escala — dos surtos.
Continua depois da publicidade
O mapa de risco do UKCEH mostra que a possibilidade de transmissão dura de dois a três meses no verão em grande parte do continente e de quatro a seis meses no sul e leste da Espanha e em Portugal, com alto risco em Malta entre março a novembro.