Aposta milionária e ciberataque: como vazou o Nobel da Paz de María Corina Machado

Trader lucrou cerca de US$ 30 mil com apostas antecipadas em plataforma cripto; instituto norueguês vê “domínio digital” como principal suspeito e reforça protocolos após episódios que já afetaram relação com Trump e os EUA

Bloomberg

Donald Trump recebe medalha e diploma do Nobel da Paz das mãos de María Corina Machado (Foto: Reprodução do X/@WhiteHouse)
Donald Trump recebe medalha e diploma do Nobel da Paz das mãos de María Corina Machado (Foto: Reprodução do X/@WhiteHouse)

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Um ataque aos sistemas de computador da organização Nobel é a causa mais provável do vazamento, no ano passado, do nome da laureada com o Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, segundo os resultados de uma investigação.

Um indivíduo ou um agente estatal pode ter obtido acesso ilegal por meio de uma violação cibernética, informou o Instituto Norueguês do Nobel nesta sexta-feira (30), após concluir uma investigação interna com apoio de autoridades de segurança.

O vazamento provocou uma onda incomum de apostas em Machado na plataforma Polymarket, poucas horas antes de ela ser anunciada como a vencedora em outubro. A líder da oposição venezuelana não era considerada uma das favoritas ao prêmio de 2025.

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“Ainda acreditamos que o domínio digital é o principal suspeito”, disse Kristian Berg Harpviken, diretor do instituto com sede em Oslo, braço administrativo do Comitê Nobel que concede o prêmio.

Leia mais: Noruega investiga volume incomum de apostas em ganhadora do Nobel da Paz

O instituto decidiu não solicitar abertura de investigação policial devido à “ausência de uma teoria clara”, afirmou ele em entrevista em Oslo.

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Diversas entidades nacionais e estrangeiras, incluindo a autoridade nacional de segurança NSM, auxiliaram na apuração.

O instituto já havia dito anteriormente que a espionagem cibernética era a causa mais provável da onda suspeita de apostas, e que um vazamento interno do nome era “improvável” — algo que Harpviken disse, nesta sexta-feira, que foi examinado e sobre o qual está “convencido de que essa não é a explicação”.

Um operador, sob o nome de usuário dirtycup, apostou cerca de US$ 70 mil em uma vitória de Machado e acabou obtendo aproximadamente US$ 30 mil em lucro, segundo dados no site da Polymarket.

O vazamento, as apostas atípicas e a investigação subsequente trouxeram ainda mais atenção ao prêmio do ano passado, que já era alvo de grande controvérsia.

Repetidas declarações do presidente Donald Trump de que ele deveria ser laureado por encerrar inúmeras guerras contribuíram para a politização do prêmio. Sua frustração levou, em parte, ao agravamento das relações entre a Noruega e os Estados Unidos — um aliado-chave em segurança. No início deste mês, o país nórdico reagiu com espanto à notícia de que Machado entregou sua medalha a Trump.

Trump, em mensagem ao primeiro-ministro norueguês Jonas Gahr Støre, vinculou suas exigências de assumir o controle da Groenlândia — território do vizinho Dinamarca — ao fato de não ter recebido o Nobel.

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O prêmio não é decidido pelo governo norueguês, mas concedido por um comitê independente. As indicações para o Prêmio Nobel da Paz de 2026 se encerram no sábado.

A organização Nobel já foi alvo de hackers antes, mas os eventos de outubro passado marcaram a primeira vez em que houve apostas online sobre o laureado com antecedência.

“Pode ter sido spyware; há diferentes maneiras pelas quais isso pode ter acontecido”, disse Harpviken. “Nós, evidentemente, fizemos um mapeamento muito cuidadoso de todas as possíveis brechas.”

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“Há áreas em que acreditamos que nossos procedimentos são bastante à prova de falhas, e há outras em que vemos que podemos reforçar nossas rotinas”, afirmou, acrescentando que revelar quaisquer medidas “não seria muito sensato do ponto de vista da segurança”.

A NSM é responsável por proteger a infraestrutura digital da Noruega e fortalecer a capacidade do país de combater espionagem, sabotagem, terrorismo e ameaças híbridas.

A autoridade também auxiliou o Instituto Nobel em 2010, quando este sofreu um grande ataque hacker após o prêmio ser concedido ao dissidente chinês Liu Xiaobo, reportou à época o veículo local VG.

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Em dezembro de 2021, um ataque cibernético atingiu os sites do Prêmio Nobel em Oslo e Estocolmo durante as cerimônias de entrega. No mês seguinte, o instituto pediu à polícia norueguesa que investigasse o chamado ataque de negação de serviço distribuído (DDoS), que classificou como “grave”, embora tenha dito que não havia suspeitos.

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