Antes de encontro, Trump pressiona Zelensky a desistir da Crimeia e de entrar na Otan

Paralelamente, emissários falam em avanços após reunião com Putin e sinalizam concessões do presidente russo

Paulo Barros

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Ucrânia deve abandonar a perspectiva de integrar a Otan e de recuperar a Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, como condição para encerrar a guerra. A declaração ocorre horas antes de seu encontro nesta segunda-feira (18) com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e líderes europeus na Casa Branca.

“Zelensky pode acabar com a guerra quase imediatamente, se quiser”, escreveu Trump em sua rede Truth Social, acrescentando que “não há volta em relação à Crimeia” e que não haverá ingresso da Ucrânia na aliança militar ocidental.

Trump recebeu o presidente russo, Vladimir Putin, em Anchorage, no Alasca, na última sexta-feira (15), e vem pressionando Kiev a aceitar um acordo de paz. Segundo autoridades americanas, as conversas com Putin incluíram cinco regiões ucranianas, mas não resultaram em cessar-fogo.

Steve Witkoff, enviado de Trump, disse à CNN que o presidente russo acenou com possíveis concessões, inclusive na área de garantias de segurança, embora fora do âmbito da Otan. “Os russos fizeram algumas concessões na mesa com relação a todas as cinco regiões”, afirmou.

O secretário de Estado Marco Rubio, que também esteve no encontro, adotou tom mais cauteloso. Em entrevista à ABC, afirmou que ainda há “grandes áreas de discordância” e que um acordo não está próximo. “Não estamos no limite de um acordo de paz, mas acredito que houve progresso”, disse.

Apesar das falas de Trump e seus assessores, Zelensky tem rejeitado a proposta russa de abrir mão de territórios no leste, incluindo Donetsk, dos quais Kiev ainda controla cerca de um quarto. O líder ucraniano busca um cessar-fogo imediato para aprofundar negociações, posição que já contou com apoio de Trump, mas que foi relativizada após o encontro com Putin.

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Na agenda desta segunda-feira, Trump se reunirá primeiro com Zelensky no Salão Oval e, em seguida, receberá líderes do Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Finlândia, União Europeia e Otan no Salão Leste da Casa Branca. Segundo o governo americano, a presença europeia busca reforçar pressões por garantias de segurança para Kiev em qualquer acordo.

Enquanto as negociações se desenrolam, a guerra segue ativa. Na noite de domingo, ataques russos com mísseis e drones atingiram Kharkiv, segunda maior cidade da Ucrânia, deixando sete mortos, entre eles duas crianças, de acordo com autoridades locais.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)