Análise: apesar de Magnitsky contra Moraes, EUA abrem espaço para negociar com Brasil

Pesquisadora destaca adiamento como sinal positivo para negociações entre Brasil e EUA, apesar das sanções ao ministro Alexandre de Moraes, que são "sinalização ao grupo bolsonarista"

Maria Luiza Dourado

Presidente dos EUA, Donald Trump, no Força Aérea Um 29/07/2025 REUTERS/Evelyn Hockstein
Presidente dos EUA, Donald Trump, no Força Aérea Um 29/07/2025 REUTERS/Evelyn Hockstein

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O decreto anunciado pelos Estados Unidos nesta quarta-feira (30) sobre produtos produzidos no Brasil, é uma sinalização positiva para governo federal no fim das contas, apesar da aplicação de sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, com base na Lei Magnitsky. Essa é a avaliação da pesquisadora Denilde Holzhacker, especialista em Relações Internacionais da ESPM.

Holzhacker é Doutora em Ciência Política pela Universidade de São Paulo e, desde 2009, atua como professora no curso de Relações Internacionais da ESPM e é responsável pela coordenação do Núcleo de Estudos e Negócios Americanos (NENAM-ESPM). Para ela, um dos pontos positivos é o adiamento do início da vigência da nova taxa. “É um primeiro passo importante, uma sinalização de que existe uma abertura para diálogo, para negociação, com essa aplicação da extensão dos sete dias, para se chegar a um entendimento”, afirma Holzhacker.

Além disso, a exclusão de setores estratégicos das taxas – que juntos correspondem a ao menos 65% das importações aos EUA, como aeronaves e peças, suco de laranja, petróleo e derivados e etc. – também é apontada como positiva, coroando os esforços de negociação do governo e dos empresários brasileiros, que fizeram chegar ao governo americano “os interesses das empresas e o impacto desses interesses”, além terem conseguido demonstrar, no caso da Embraer, a importância do efeito da tarifa “nos empregos gerados nos EUA a partir dos investimentos da empresa no país”, pontuou.

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Sobre a aplicação de sanções ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes embasadas pela Lei Global Magnitsky, um dispositivo usado por Washington para punir estrangeiros acusados de graves violações de direitos humanos ou corrupção, Holzhacker afirma que o movimento mostra o peso político importante na disputa entre EUA e Brasil. “Ele [o presidente Donald Trump] sinalizou uma vitória para o grupo bolsonarista com a sanção ao ministro Alexandre de Moraes, mostrando que não abandonou o grupo, mas que os interesses comerciais também são importantes e afetam essa lógica de confrontação com o Brasil”, finalizou.

Maria Luiza Dourado

Repórter de Finanças do InfoMoney. É formada pela Cásper Líbero e possui especialização em Economia pela Fipe - Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas.