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O ministro das Finanças da Alemanha afirmou nesta segunda-feira (19) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cruzou uma “linha vermelha” ao ameaçar impor tarifas adicionais a aliados da OTAN que se opõem aos planos americanos de anexar a Groenlândia. A declaração foi feita após Trump anunciar tarifas contra países europeus que apoiam a soberania do território.
“Estamos vivenciando constantemente novas provocações e antagonismos buscados pelo presidente Trump, e aqui nós, europeus, precisamos deixar claro que o limite foi alcançado”, disse Lars Klingbeil a jornalistas em Berlim. Segundo ele, a Europa deve se preparar para usar suas medidas comerciais mais sensíveis em resposta ao que classificou como chantagem econômica.

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Klingbeil reagiu ao anúncio feito por Trump no fim de semana de que os EUA aplicarão uma tarifa de 10% sobre produtos de oito países europeus a partir de 1º de fevereiro, elevando a alíquota para 25% em junho, caso não haja um acordo para a “compra da Groenlândia”. A ameaça foi feita depois que esses países declararam apoio a exercícios militares limitados da OTAN no território dinamarquês semiautônomo.
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“Os limites foram atingidos”, disse Klingbeil. “Quando vejo a ameaça à integridade e à soberania da Groenlândia e da Dinamarca, fica claro que não podemos ceder à chantagem. A Europa precisa estar pronta para agir, e essa preparação precisa ser feita agora.”
As declarações intensificaram a reação em capitais europeias. Líderes da União Europeia devem realizar uma reunião de emergência em Bruxelas ainda nesta semana para discutir possíveis medidas de retaliação. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que os países do bloco estão unidos em apoio à Dinamarca e à Groenlândia e prontos para “se defender contra qualquer forma de coerção”.
Outros líderes europeus também reagiram. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, classificou os comentários de Trump como “completamente errados”, enquanto o premiê da Suécia, Ulf Kristersson, disse que seu país não aceitará ser chantageado. O presidente da França, Emmanuel Macron, chamou a ameaça de “inaceitável” e pretende pedir a ativação do instrumento anticoerção da UE.
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A UE discute a imposição de tarifas sobre € 93 bilhões (US$ 108 bilhões) em produtos americanos caso Trump leve adiante a ameaça. As medidas já foram aprovadas e poderiam ser implementadas rapidamente, atingindo bens industriais dos EUA, como aeronaves da Boeing Co., automóveis e bourbon.
Como resposta imediata, a UE decidiu interromper a aprovação do acordo comercial firmado com os EUA em julho, que ainda dependia do aval do Parlamento Europeu. O Partido Popular Europeu, maior bancada da Casa, afirmou que se unirá a outros grupos para bloquear a ratificação.
Os mercados europeus reagiram negativamente ao anúncio. As ações caíram a partir de níveis próximos de recordes, com o índice Stoxx Europe 600 recuando 0,8% na manhã desta segunda-feira. Setores mais expostos ao mercado americano, como montadoras e empresas de luxo, lideraram as perdas.
Segundo estimativas da Bloomberg Economics, uma tarifa americana de 25% poderia reduzir em até 50% as exportações aos EUA dos países afetados, com Alemanha, Suécia e Dinamarca entre os mais expostos. Economistas do Goldman Sachs estimam que uma tarifa de 10% reduziria o PIB real entre 0,1% e 0,2% nos países atingidos, com maior impacto na Alemanha.
(com Bloomberg)