Alemanha diz que Trump cruzou “linha vermelha” ao ameaçar aliados da OTAN

Ministro alemão das Finanças afirma que ameaças de tarifas dos EUA configuram coerção econômica e defende uso de instrumentos comerciais da UE

Equipe InfoMoney Agências de notícias

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump 17/12/2025. REUTERS/Aaron Schwartz
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump 17/12/2025. REUTERS/Aaron Schwartz

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O ministro das Finanças da Alemanha afirmou nesta segunda-feira (19) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cruzou uma “linha vermelha” ao ameaçar impor tarifas adicionais a aliados da OTAN que se opõem aos planos americanos de anexar a Groenlândia. A declaração foi feita após Trump anunciar tarifas contra países europeus que apoiam a soberania do território.

“Estamos vivenciando constantemente novas provocações e antagonismos buscados pelo presidente Trump, e aqui nós, europeus, precisamos deixar claro que o limite foi alcançado”, disse Lars Klingbeil a jornalistas em Berlim. Segundo ele, a Europa deve se preparar para usar suas medidas comerciais mais sensíveis em resposta ao que classificou como chantagem econômica.

Klingbeil reagiu ao anúncio feito por Trump no fim de semana de que os EUA aplicarão uma tarifa de 10% sobre produtos de oito países europeus a partir de 1º de fevereiro, elevando a alíquota para 25% em junho, caso não haja um acordo para a “compra da Groenlândia”. A ameaça foi feita depois que esses países declararam apoio a exercícios militares limitados da OTAN no território dinamarquês semiautônomo.

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“Os limites foram atingidos”, disse Klingbeil. “Quando vejo a ameaça à integridade e à soberania da Groenlândia e da Dinamarca, fica claro que não podemos ceder à chantagem. A Europa precisa estar pronta para agir, e essa preparação precisa ser feita agora.”

As declarações intensificaram a reação em capitais europeias. Líderes da União Europeia devem realizar uma reunião de emergência em Bruxelas ainda nesta semana para discutir possíveis medidas de retaliação. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que os países do bloco estão unidos em apoio à Dinamarca e à Groenlândia e prontos para “se defender contra qualquer forma de coerção”.

Outros líderes europeus também reagiram. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, classificou os comentários de Trump como “completamente errados”, enquanto o premiê da Suécia, Ulf Kristersson, disse que seu país não aceitará ser chantageado. O presidente da França, Emmanuel Macron, chamou a ameaça de “inaceitável” e pretende pedir a ativação do instrumento anticoerção da UE.

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A UE discute a imposição de tarifas sobre € 93 bilhões (US$ 108 bilhões) em produtos americanos caso Trump leve adiante a ameaça. As medidas já foram aprovadas e poderiam ser implementadas rapidamente, atingindo bens industriais dos EUA, como aeronaves da Boeing Co., automóveis e bourbon.

Como resposta imediata, a UE decidiu interromper a aprovação do acordo comercial firmado com os EUA em julho, que ainda dependia do aval do Parlamento Europeu. O Partido Popular Europeu, maior bancada da Casa, afirmou que se unirá a outros grupos para bloquear a ratificação.

Os mercados europeus reagiram negativamente ao anúncio. As ações caíram a partir de níveis próximos de recordes, com o índice Stoxx Europe 600 recuando 0,8% na manhã desta segunda-feira. Setores mais expostos ao mercado americano, como montadoras e empresas de luxo, lideraram as perdas.

Segundo estimativas da Bloomberg Economics, uma tarifa americana de 25% poderia reduzir em até 50% as exportações aos EUA dos países afetados, com Alemanha, Suécia e Dinamarca entre os mais expostos. Economistas do Goldman Sachs estimam que uma tarifa de 10% reduziria o PIB real entre 0,1% e 0,2% nos países atingidos, com maior impacto na Alemanha.

(com Bloomberg)