Alemanha diz que saída de tropas dos EUA deve estimular área de defesa da Europa

Em contrapartida, dois importantes parlamentares republicanos dos EUA expressaram preocupação, dizendo que as tropas não deveriam deixar a Europa

Reuters

Ministro da Defesa da Alemanha Boris Pistorius (Foto: REUTERS/ Nadja Wohlleben)
Ministro da Defesa da Alemanha Boris Pistorius (Foto: REUTERS/ Nadja Wohlleben)

Publicidade

BERLIM, 2 Mai (Reuters) – A ⁠retirada planejada de 5.000 soldados norte-americanos da Alemanha deve estimular a ⁠Europa a fortalecer suas próprias defesas, disse neste sábado o ministro da Defesa alemão, Boris ‌Pistorius.

Em contrapartida, dois importantes parlamentares republicanos dos EUA expressaram preocupação, dizendo que as tropas não deveriam deixar a Europa.

O Pentágono anunciou na sexta-feira a retirada das tropas da Alemanha, sua maior base europeia, enquanto ‌uma divisão sobre a guerra do Irã e as tensões tarifárias colocam ainda mais pressão sobre as relações entre EUA e Europa.

Como parte da decisão dos EUA, um plano da era Biden de enviar um batalhão norte-americano com mísseis Tomahawk de longo alcance para a Alemanha também foi abandonado — um golpe para Berlim, que considerava isso uma barreira poderosa contra a Rússia.

Os parlamentares republicanos Roger Wicker e Mike Rogers, presidentes dos ⁠comitês ‌de serviços armados do Senado e da Câmara, disseram estar ‘muito preocupados’. Eles disseram que as tropas não ⁠deveriam ser transferidas da Europa, mas sim para o leste.

‘Reduzir prematuramente a presença avançada dos Estados Unidos na Europa… pode prejudicar a dissuasão e enviar o sinal errado ao (presidente russo) Vladimir Putin’, disseram eles em uma declaração conjunta.

Continua depois da publicidade

OTAN E WASHINGTON TRABALHAM NOS DETALHES

Pistorius disse que a retirada parcial era esperada e afetaria a atual presença dos EUA, de quase 40.000 soldados estacionados na ​Alemanha.

‘Nós, europeus, devemos assumir mais responsabilidade por nossa própria segurança’, disse Pistorius, acrescentando que ‘a Alemanha está no caminho certo’ ao expandir suas forças armadas, acelerar as aquisições militares e construir infraestrutura.

O presidente ​dos EUA, Donald Trump, defendeu a redução da presença militar na Alemanha já em seu primeiro mandato e pediu repetidamente que a Europa assumisse a responsabilidade por sua defesa. No entanto, ele intensificou a ameaça no início desta semana depois de discutir com o chanceler alemão, Friedrich Merz, que questionou a estratégia de saída de Washington no Oriente Médio.

O Pentágono disse que a retirada das tropas deve ser ‌concluída nos próximos seis a 12 meses. Ele não informou quais ​bases seriam afetadas, nem se as tropas retornariam aos EUA ou seriam redistribuídas na Europa ou em outro lugar.

Um porta-voz da Otan disse que a aliança estava trabalhando com os EUA para entender os detalhes da decisão.

Continua depois da publicidade

O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, cujo ⁠país está buscando garantias de apoio ​contínuo dos EUA no flanco ​oriental da Otan, em meio à guerra entre Rússia e Ucrânia, também expressou preocupação com o último revés para a aliança.

‘A maior ⁠ameaça à comunidade transatlântica não são seus inimigos externos, ​mas a desintegração contínua de nossa aliança. Todos nós devemos fazer o que for preciso para reverter essa tendência desastrosa’, escreveu Tusk no X neste sábado.

Os planos do Pentágono foram o mais recente golpe de Washington contra a Alemanha, ​depois que Trump disse que aumentaria as tarifas sobre as importações de automóveis da UE para 25%, acusando o bloco de não manter um acordo comercial. A medida ​tarifária pode custar bilhões à economia ⁠alemã.

Continua depois da publicidade

Peter Beyer, uma autoridade de política externa do partido CDU, do chanceler Merz, disse que os dois anúncios devem ser vistos à luz ⁠da pressão sobre Trump tanto no país quanto no exterior, em meio a pesquisas de opinião fracas e a conflitos não resolvidos na Ucrânia, na Venezuela e no Irã.

‘Diante desse cenário, tanto a retirada das tropas quanto a política comercial parecem menos a expressão de uma estratégia coerente e mais um reflexo político e uma reação nascida da frustração’, disse Beyer à Reuters.