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O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, afirmou nesta quinta-feira (31) que o país europeu “será obrigado a responder” caso Israel avance com planos de anexação da Cisjordânia ocupada.
A declaração antecede sua viagem a Israel e à Palestina e representa a advertência mais incisiva da Alemanha ao governo de Benjamin Netanyahu desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023.
“Ao lado de outros países europeus, a Alemanha está agora preparada para reconhecer um Estado palestino, mesmo sem um processo de negociação prévio, diante das ameaças abertas de anexação”, disse Wadephul, em comunicado citado pela agência Reuters.
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A declaração do chanceler alemão ecoa um movimento crescente dentro do G7. Após a França anunciar o reconhecimento do Estado palestino em setembro, durante a Assembleia Geral da ONU, Reino Unido e Canadá também sinalizaram apoio à medida, em reação às ameaças de Israel de anexar unilateralmente territórios ocupados.
Para Wadephul, o processo de paz está em uma “encruzilhada” e só haverá saída diplomática para o conflito por meio da negociação e da construção de uma solução de dois Estados, o que vem sendo defendido há décadas por organismos multilaterais, mas nunca concretizado.
A coalizão de governo de Netanyahu conta hoje com partidos ultranacionalistas e religiosos que defendem a reimplantação de assentamentos judaicos e o controle completo da Faixa de Gaza. Dois ministros israelenses se pronunciaram nesta semana a favor da anexação da Cisjordânia, território que abriga mais de 3 milhões de palestinos sob ocupação militar de Israel desde 1967.
Fome em Gaza amplia desgaste
A viagem do chanceler alemão ocorre em meio à escalada das denúncias sobre uma crise humanitária em Gaza, com relatos crescentes de mortes por fome e desnutrição. Segundo o Ministério da Saúde do enclave, mais de 60 mil palestinos foram mortos desde o início da guerra, deflagrada por um ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que deixou 1.200 israelenses mortos.
Organizações internacionais e agências da ONU têm denunciado restrições à entrada de ajuda humanitária por parte de Israel, que controla os principais acessos ao território. A situação crítica de civis tem ampliado a pressão diplomática sobre Tel Aviv e provocado dissenso entre aliados históricos, como Alemanha e Estados Unidos.
Pressão europeia desafia postura tradicional
A posição da Alemanha marca uma inflexão relevante, dado o histórico de cautela diplomática do país em relação a Israel, muitas vezes atribuído ao legado do Holocausto. Críticos alegam que esse peso histórico tem levado Berlim a respostas excessivamente tímidas, mesmo diante de violações de direitos humanos.
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Ao endurecer o tom, a Alemanha se aproxima da linha adotada por outros países europeus, que veem o atual impasse como insustentável e defendem ações concretas para destravar o processo de paz no Oriente Médio. Para Wadephul, essa hora chegou: “As discussões para uma solução de dois Estados devem começar agora.”