Acordo de EUA-Irã reduz combates no Líbano, mas deslocados não podem voltar para casa

Anúncio de cessar-fogo traz calma relativa à região após deixar quase 3.800 mortos, mas governo israelense descarta desocupar zonas de segurança e moradores deslocados hesitam em voltar para casa

Reuters

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BEIRUTE/JERUSALÉM, 15 Jun (Reuters) – ⁠Os combates no sul do Líbano diminuíram na segunda-feira ⁠após o anúncio de um acordo entre os EUA e o Irã para pôr ‌fim ao conflito mais amplo, mas as autoridades locais alertaram as pessoas deslocadas para que não voltem às pressas para casa, e Israel afirmou que não retiraria suas ‌tropas da região.

O Líbano sofreu as consequências mais mortíferas do conflito entre EUA e Irã, com quase 3.800 pessoas mortas e cerca de 1,2 milhão de pessoas deslocadas por uma ofensiva israelense contra o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, que abriu fogo contra Israel em apoio a Teerã em 2 de março.

O Paquistão, um mediador-chave entre Teerã e Washington, anunciou que ⁠um ‌acordo foi fechado na madrugada de segunda-feira, horário local, exigindo “o fim imediato e permanente das ⁠operações militares em todas as frentes, inclusive no Líbano”.

A declaração trouxe relativa calma ao sul do Líbano, segundo fontes de segurança libanesas e estrangeiras.

Os ataques do Hezbollah a alvos militares israelenses, tanto no sul do Líbano quanto no norte de Israel, cessaram pouco antes da meia-noite, informaram as fontes. O grupo não se pronunciou ​sobre o acordo, mas já havia declarado anteriormente que apoia a iniciativa do Irã para um cessar-fogo no Líbano.

Israel também reduziu significativamente seus ataques, disseram as fontes de ​segurança, embora tenham sido relatados alguns disparos de artilharia em cidades do sul do Líbano e pelo menos um drone tenha sido ouvido sobrevoando Beirute e seus subúrbios ao sul.

ISRAEL AFIRMA QUE TROPAS PERMANECERÃO

No sul do Líbano, conselhos municipais pediram aos moradores que adiem o retorno para casa. A Força Aérea de Israel bombardeou intensamente algumas cidades da ‌região nos últimos três meses, e outras mais próximas da ​fronteira ainda estão ocupadas por tropas israelenses.

Mona Mazeh, uma mulher deslocada abrigada no bairro de Hamra, em Beirute, não tinha planos imediatos de retornar à sua vila perto da cidade de Tiro, no sul. “Francamente, estamos ⁠hesitantes; não se pode confiar em ​Israel”, disse ela.

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O ministro ​da Defesa de Israel, Israel Katz, cujo país não é signatário do acordo entre os EUA e o Irã, ⁠afirmou que Israel não se retiraria das zonas ​de segurança no sul do Líbano, em Gaza e na Síria, e que retaliará se o Irã atacar Israel devido aos eventos no Líbano.

Katz disse que a zona de segurança no sul do ​Líbano seria desocupada de residentes locais e que “toda a infraestrutura terrorista, incluindo casas nas vilas vizinhas”, uma referência ao Hezbollah, seria removida.

As Forças Armadas israelenses ​vêm arrasando locais no sul ⁠do Líbano há semanas, alegando que estão agindo contra militantes do Hezbollah infiltrados em áreas civis da região predominantemente ⁠muçulmana xiita. Centenas de milhares de xiitas libaneses estão se refugiando em outras partes do país.

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Em Nabatieh, uma cidade devastada no sul, Mohammed Daqdouq disse que havia retornado na manhã de segunda-feira para verificar sua casa. “Vamos precisar de uma vida inteira para reconstruir — para reconstruí-la novamente e trazer Nabatieh de volta ao que era”, disse ele.

(Reportagem de Jihed Abidellaoui e Laila Bassam em ​Beirute)