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O presidente Donald Trump deve ordenar que sua administração avance na reclassificação da maconha como uma droga menos perigosa, segundo pessoas familiarizadas com o assunto — uma medida que pode representar uma das maiores mudanças na política dos EUA em relação à cannabis em décadas.
Trump discutiu os planos com o Secretário de Saúde e Serviços Humanos Robert F. Kennedy Jr. e com o administrador dos Centros de Serviços de Medicare e Medicaid, Mehmet Oz, disseram as pessoas, que não foram autorizadas a falar publicamente sobre as conversas.
O presidente também falou sobre a ideia com líderes do setor, disseram as fontes, incluindo Kim Rivers, diretora-presidente da Trulieve Cannabis Corp., e Howard Kessler, um financiador da área de pagamentos que tem defendido a ampliação do acesso ao CBD — um composto encontrado na cannabis que não causa efeitos psicoativos.
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Um funcionário da Casa Branca disse que nenhuma decisão final foi tomada sobre a reclassificação. Rivers e Kessler não responderam a pedidos de comentário sobre suas conversas com o presidente.
Classificação da cannabis
A cannabis é atualmente classificada como uma droga da Tabela I, na mesma categoria de substâncias como heroína e LSD, consideradas sem uso medicinal e com alto potencial de abuso. Trump está avaliando propor a reclassificação para a Tabela III, segundo as fontes — categoria que inclui substâncias vistas como tendo menor potencial de dependência, como cetamina, Tylenol com codeína e esteroides anabolizantes.
A reclassificação tornaria mais fácil comprar e vender cannabis, representando uma grande vitória para empresas e investidores do setor, bem como para pacientes que usam maconha medicinal. Companhias de cannabis têm feito lobby por reformas em Washington, e uma decisão de reclassificação pode reduzir encargos tributários e obstáculos aos serviços bancários, atrair mais investidores e credores tradicionais e ampliar possibilidades para pesquisa médica.
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As ações de empresas de cannabis dispararam na sexta-feira, incluindo Tilray Brands Inc., que subiu 31% às 9h39 em Nova York, e Canopy Growth Corp., que avançou 23%.
A legislação dos EUA sobre cannabis é fragmentada. Embora seja proibida em nível federal, os estados variam amplamente em termos de legalização. Mais de 40 estados e o Distrito de Columbia permitem o uso medicinal da maconha, segundo a Conferência Nacional de Legislaturas Estaduais, enquanto cerca de metade permite o uso recreativo.
Esforços para aprovar legislação federal que descriminalize a maconha ainda tiveram pouco progresso.
Embora Trump possa buscar mudanças no status atual, inclusive por meio de uma ordem executiva, a reclassificação provavelmente só entraria em vigor após o governo concluir um processo de regulamentação que está suspenso desde janeiro.
Campanha pela reclassificação
Trump reconheceu divisões profundas sobre o tema em agosto, quando disse que uma decisão sobre a classificação da maconha poderia ser tomada em semanas. Ele afirmou na época que havia conversado com defensores da reclassificação, que enfatizaram os benefícios medicinais da cannabis, e com quem argumentou que o afrouxamento das restrições representaria risco para crianças. O presidente disse a participantes de um evento de arrecadação de fundos em Nova Jersey, em agosto, que estava considerando a mudança, segundo o Wall Street Journal.
A campanha pela reclassificação ganhou força no governo do presidente Joe Biden. Em 2024, o Departamento de Justiça recomendou mover a cannabis para a Tabela III, o que iniciou uma revisão formal pela Administração de Fiscalização de Drogas (DEA). No entanto, o progresso foi interrompido por desafios legais e atrasos nas agências, deixando a questão e a indústria em limbo.
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Opositores da reclassificação afirmam que o argumento do governo Biden se baseou em raciocínio falho e minimizou riscos à saúde.
Kennedy já havia apoiado a descriminalização em nível federal. Ele falou frequentemente sobre suas próprias experiências com dependência e disse, em fevereiro, que estava preocupado com a maconha de alta potência, mas que a ampla legalização e descriminalização pelos estados oferecia uma oportunidade de estudar efeitos no mundo real.
A decisão ocorre enquanto a administração Trump tem buscado reprimir o tráfico de drogas e adotado uma postura mais dura contra outra substância, o fentanil.
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Trump assinou, em julho, uma legislação que classificou permanentemente todas as substâncias relacionadas ao fentanil como drogas da Tabela I, aumentando as penalidades para quem for pego traficando. O presidente tem usado a crise de saúde pública causada pelo opioide sintético para intensificar ações sobre segurança de fronteiras e migração irregular, além de impor tarifas aos três maiores parceiros comerciais dos EUA, em parte devido ao tráfico de fentanil.

