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A piora do cenário econômico na Venezuela voltou a aparecer com força no dia a dia da população, justamente no momento em que o país enfrenta uma nova rodada de tensões com os Estados Unidos.
O salário mínimo, congelado desde março de 2022, permanece em 130 bolívares, o equivalente à cerca de R$ 3, e perdeu ainda mais poder de compra nas últimas semanas, acompanhando a desvalorização acelerada da moeda nacional frente ao dólar.
O bolívar vive mais um ciclo de queda, pressionado pela falta de reservas, pela instabilidade política e pela dependência crescente do dólar como referência de preços. Em novembro, a moeda venezuelana perdeu 8,8% do seu valor em relação ao dólar.
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No último dia útil do mês, a cotação oficial fechou em 245,66 bolívares por dólar, uma disparada em comparação aos 223,96 bolívares registrados no início de novembro.
Os números revelam a dimensão da deterioração. Desde janeiro, o bolívar acumula uma desvalorização de 78,8% frente ao dólar. A moeda americana, que começou o ano em 52,02 bolívares, ficou 372,2% mais cara ao longo de 2025, de acordo com dados do Banco Central da Venezuela.
A consequência é sentida de forma imediata: preços reajustados com maior frequência, dificuldade de acesso a bens básicos e uma sensação de instabilidade permanente para quem depende de renda fixa.
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Embora o dólar seja o parâmetro dominante, alguns estabelecimentos tentaram recorrer ao euro como alternativa de precificação. Ainda assim, a lógica permanece a mesma, qualquer movimento de valorização das moedas estrangeiras se traduz em novos aumentos, corroendo o poder de compra dos trabalhadores.
A pressão econômica coincide com o momento mais tenso da relação entre Caracas e Washington em anos. A presença militar dos Estados Unidos no Caribe e a escalada retórica entre os governos reacenderam temores de incidentes na região.
A crise também se refletiu no transporte aéreo: desde o início deste sábado (26), dezenas de voos foram cancelados, aprofundando o isolamento e dificultando o deslocamento de venezuelanos dentro e fora do país.
Enquanto a disputa política se intensifica no plano internacional, a vida cotidiana dentro da Venezuela segue marcada por incertezas. Para muitos venezuelanos, a crise cambial não é apenas uma estatística do Banco Central, é a diferença entre conseguir comprar comida para a semana ou ter de reduzir ainda mais o consumo.