Violência: quanto custa se proteger?

Aumento da criminalidade leva brasileiros a gastarem cada vez mais com segurança particular; despesas mensais podem chegar a R$ 15 mil

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SÃO PAULO – A onda de seqüestros no Estado de São Paulo vem preocupando a população, que ao invés de poder contar com a segurança pública, é obrigada a gastar muito dinheiro com empresas de proteção particulares. Algumas pessoas chegam a gastar R$ 15 mil por mês com seguranças apenas para acompanhá-las durante o caminho do trabalho e eventos nos fins-de-semana. O mercado de segurança continua apresentando um forte crescimento, acompanho o aumento da demanda por esses serviços no país.

Assalto mudou rotina de família

Não é necessário ser rico e famoso para precisar de proteção hoje em dia. Basta sair de casa para correr grandes riscos de ser assaltado ou sofrer um seqüestro relâmpago. A casa da estudante Maria Paula Alcântara não é mais a mesma depois do assalto que sua família sofreu no mês passado. “Levaram tudo que era possível de minha casa, inclusive os carros, cartões de crédito e talões de cheque” disse Maria Paula. A família da estudante decidiu mudar de bairro e contratou um serviço de monitoramento da residência que custa mensalmente R$ 310,00.

Ao sair em casa, Maria Paula chama uma viatura que vai até o portão de sua casa, e o procedimento é repetido na hora que ela volta, através de um sistema de rádio instalado em seu carro. “Depois daquele incidente temos muito medo de sair na rua. A gente evita andar a noite porque as chances de acontecer alguma coisa são maiores. É uma neurose tudo isso, mas é nossa realidade”, lamenta a estudante de 20 anos.

Carros blindados não garantem proteção

O mercado de blindados no país fechou o ano de 2001 com um total de 15 mil unidades, fenômeno explicado pela popularização do serviço, o que nos deu o primeiro lugar no ranking mundial de blindagem, passando o México e os EUA. Entre os veículos, 45% são de porte médio, como Astra ou Golf, cujo serviço custa entre R$ 30 mil e R$ 32 mil, e pode ser financiado em 24 meses.

Como foi observado no caso do prefeito de Santo André, Celso Daniel, que mesmo estando num Mitubishi Pajero blindado, não conseguiu fugir dos seqüestradores, os carros blindados não garantem a total proteção. Os bandidos podem usar fuzis e metralhadoras, ou mesmo utilizar estratégias que obrigam os passageiros a sair do veículo.

A dona de casa Glaucia Porto, esposa de um diretor de banco americano dirige um Mercedes blindado, porém sabe que não está totalmente segura dentro do automóvel. “É mais para evitar pequenos assaltos e dar uma sensação de maior segurança também”, conta Gláucia. “Minha sobrinha foi seqüestrada em fevereiro do ano passado e aqui em casa meu marido resolveu blindar os carros”, acrescenta.

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Advogado vende automóvel após assalto

Após um assalto, no qual foram roubados um relógio e um óculos de sol, o advogado Reinaldo de Oliveira achou melhor vender o Audi A8 e comprou um Vectra, acreditando que chamaria menos a atenção de assaltantes. Além da troca do automóvel, Reinaldo reforçou sua segurança pessoal, contratando o serviço de guarda-costas, gastando por volta de R$ 5 mil todo mês. “Aquele assalto no trânsito foi um aviso de que poderia vir coisa pior. Levaram um Rolex, mas poderia ter sido minha vida”.

O serviço de seguranças pessoais pode sair até R$ 15 mil ao mês, apenas para o acompanhamento de uma pessoa no trajeto casa-trabalho-casa. Neste preço estão incluídos quatro guarda-costas, sendo que dois deles ficam dentro do carro do cliente, que geralmente é blindado. Os outros dois o seguem num carro fornecido pela empresa de segurança. Os custos podem variar bastante de acordo com as exigências dos clientes, e muitos especialistas recomendam muita cautela na hora da contratação desses profissionais.

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