Vendas a prazo caíram em outubro com alta dos juros

Mais cauteloso consumidor evita novas dívidas e se prepara para o final do ano re-negociando dívidas antigas; vendas no varejo podem crescer em relação a 2001

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SÃO PAULO – A maior cautela dos consumidores na hora de comprar pode ser constatada nas vendas a prazo do mês de outubro. Diante da decisão do Banco Central de aumentar os juros básicos da economia, de 18% ao ano para 21% ao ano, o consumidor acabou optando por evitar novos financiamentos, temendo comprometer seu orçamento de forma excessiva neste Final de Ano.

Vendas a prazo caem, enquanto compras à vista aumentam

Segundo a Associação Comercial de São Paulo, se tomarmos como base das vendas a prazo o número de consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SPC), as vendas a prazo registraram queda de 4,2% em outubro quando comparadas com setembro. A queda é ainda mais significativa se considerarmos que o mês de outubro é marcado por uma das principais datas do varejo nacional, o Dia da Criança, e que setembro teve menos dias úteis.

Na comparação com o mesmo período no ano passado, a queda é mais modesta de 1,6%, mas deve-se lembrar que as vendas de outubro em 2001 foram duramente afetadas pelo temor que atingiu os consumidores depois dos atentados terroristas aos EUA.

Em sentido contrário, o número de consultas ao UseCheque, que pode ser usado como estimativa do volume de vendas à vista cresceu em outubro, confirmando a maior cautela entre os consumidores que busca evitar a todo custo levantar novas dívidas no final do ano. Com base nas consultas ao UseCheque, estima-se que as vendas à vista cresceram 6,4% em outubro em relação a setembro, enquanto em relação a outubro do ano passado o crescimento foi menor, de 3,4%.

Consumidor busca sair do vermelho

Ainda mais positiva é a constatação de que o número de casos de renegociação de dívidas registrou aumento de 34% entre outubro do ano passado e este ano, ao mesmo tempo em que o número de novos registros negativos cresceu 14,9%, o que contribuiu para a queda da inadimplência.

Na visão da Associação Comercial, esta atitude indica que o consumidor está buscando limpar seu nome antes do Final do Ano para poder voltar às compras. Esta tendência é positiva, pois indica que as vendas ao varejo podem se recuperar neste Final de Ano, apesar dos juros continuarem elevados.

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Para o presidente da ACSP, Alencar Burti, o que mais importa é a confiança: se o consumidor acreditar que em 2003 a situação do país vai melhorar, ele deve voltar a consumir, mas se o clima de incerteza persistir, as vendas devem ser prejudicadas. Burti aposta que as vendas deste ano devem ao menos se igualar às do ano passado, podendo inclusive superá-las por pequena margem.