Variação do dólar: entenda por que a moeda sobe e desce tanto

A sua movimentação pode impactar diretamente na inflação e preços ao consumidor

Camila Lutfi

Publicidade

A cotação do dólar é um dos principais indicadores da economia mundial. Isso porque ele serve como referência para outras divisas, mesmo aquelas mais fortes, como euro e libra.

A sua movimentação pode impactar diretamente na inflação de outros países, como é o caso do Brasil. Isso significa que um dólar alto pode encarecer alimentos, combustíveis, produtos e serviços no Brasil.

De acordo com Otávio Araújo, consultor de Investimentos Sênior na ZERO Markets, a inflação é impactada porque muitos insumos usados na produção local são cotados em dólar, além dos próprios produtos importados destinados ao consumidor final.

Ferramenta do InfoMoney

Baixe agora (e de graça)!

Acompanhe as principais notícias sobre o dólar hoje!

Dessa forma, empresas e governo com dívidas em dólar veem seus custos aumentarem quando a moeda sobe, impactando investimentos, expansão e até mesmo o risco de crédito.

Um estudo recente da FGV mostrou que é um risco não considerar o impacto do dólar nos investimentos. O relatório “Impacto Cambial no Consumo dos Brasileiros e a Necessidade de Diversificação Internacional” mostra os principais benefícios de investir além do real, destacando a proteção do dinheiro frente às variações do dólar.

Continua depois da publicidade

Por que o dólar oscila tanto?

Segundo o planejador financeiro CFP Jeff Patzlaff, a cotação muda constantemente porque o câmbio é negociado como qualquer outro ativo de mercado, e o setor é altamente líquido, funciona praticamente 24 horas por dia e reflete não só dados macroeconômicos, mas também sentimento e comportamento de investidores.

Lucas Sigu Souza, sócio-fundador da Ciano Investimentos, complementa que o que faz o preço do dólar é oferta e demanda. Ou seja, se tem mais gente comprando dólar, a moeda sobe, se tem mais gente vendendo, ela cai.

“Por exemplo, investidores querendo comprar dólar para se proteger pode fazer o dólar subir. Isso pode acontecer com uma simples aversão ao país, provocando uma saída de dinheiro daqui, mas o oposto também acontece. Se o Brasil tiver uma perspectiva legal e houver investidores de fora entrando no Brasil, há, naturalmente, queda do dólar”, explica Souza.

Expectativas sobre o que o Banco Central norte-americano vai fazer com os juros, estabilidade (e instabilidade) política nos EUA e no Brasil, dados de inflação, tensões geopolíticas (como guerras ou eleições) e até eventos climáticos que pressionam preços de commodities, tudo isso movimenta as moedas em tempo real.

Como entender a cotação do dólar?

Há um índice norte-americano que mede o dólar frente a uma cesta de seis outras divisas de países desenvolvidos, o US Dollar Index (DXY). O marcador é utilizado por operadores de câmbio do mundo todo como termômetro do mercado.

No entanto, para entender os impactos dessa cotação, algumas análises técnicas, econômicas e comparativas podem ser feitas para avaliar se o real está mais fraco do que deveria.

Continua depois da publicidade

A chamada taxa de câmbio real efetiva (REER) é uma delas, pois considera a inflação e o desempenho econômico do Brasil frente a parceiros, mostrando se o real está valorizado ou desvalorizado em relação à média histórica.

“Quando o câmbio está muito acima do que sugerem os fundamentos econômicos — balança comercial, inflação e diferencial de juros —, geralmente há influência de fatores temporários, como incerteza política ou choques globais”, comenta Otávio Araújo, da ZERO Markets.

A comparação com a moeda de outros países emergentes também pode ser feita para responder essa pergunta, um descolamento do real em relação a pares pode indicar fraqueza pontual, geralmente por motivos domésticos, como instabilidade ou risco fiscal.

Continua depois da publicidade

No caso de empresas que trabalham diretamente com a divisa, o sócio-fundador da Ciano Investimentos explica que o que mais impacta a lucratividade é a oscilação da moeda, para além do preço específico.

“Uma vez que a empresa já sabe que o dólar vai ser R$ 5, R$ 6 ou R$ 7, mas ela sabe que esse valor vai ser assim pelos próximos cinco a dez anos, ela faz toda uma estrutura contando com isso e consegue ter um desempenho interessante”, diz.