Varejistas encurtam prazos dos crediários

Aumento do custo de financiamento levou varejistas a suspender vendas parceladas sem juros e limitar prazo do crediário para seis meses

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SÃO PAULO – Apesar da redução de um ponto percentual na taxa de juros básica da economia, a Selic, que desde o início do ano caiu de 19% ao ano para os atuais 18% ao ano, os juros cobrados ao consumidor seguem em alta. Diante do forte aumento dos juros na segunda metade do ano passado, alguns varejistas adotaram uma estratégia de oferecer vendas parceladas sem juros por prazos de até 12 meses.

Contudo, esta a estratégia de vendas a prazo sem juros está sendo revista, com o prazo de parcelamento sendo reduzido, para compensar o aumento do custo do dinheiro, pois os bancos estão cobrando taxas mais altas destas varejistas. O diretor da administradora de cartões de crédito do Carrefour, Eric Cohen, estima que o custo do dinheiro aumentou entre 40% e 50% para as varejistas nos últimos seis meses. Para Cohen a única forma de manter o parcelamento sem juros seria embutir o custo do financiamento no preço final do produto.

Prazo máximo de seis meses

Apesar disto, o Carrefour decidiu as vendas parceladas em até seis vezes como forma de não prejudicar as vendas, mas esta atitude não foi acompanhada por algumas varejistas. As Casas Bahia, por exemplo, líder no setor de vendas a prazo, deixou de oferecer linhas de crédito de dez vezes sem juros, passando a cobrar 3,5% ao mês para esta modalidade, mas oferece descontos entre 10% e 20% para compras com prazo máximo de financiamento de seis meses.

O Ponto Frio também está oferecendo promoções para créditos entre três e cinco parcelas, mas passou a cobrar juros mensais de 5,9% ao mês para vendas a prazo em seis vezes. Outro varejista que está revendo sua estratégia de vendas a prazo sem juros é o site de vendas on-line Submarino, que também encurtou prazos ao consumidor. Em decorrência desta decisão, o faturamento proveniente de vendas com prazos de dez meses caiu de 30% para patamares entre 10% e 12%.

Finalmente, as Lojas Americanas também passaram a cobrar juros para financiamentos em mais de dez vezes e voltou a concentrar-se no parcelamento para um prazo máximo de seis meses, visando também reduzir a pressão sobre seu capital de giro.

Bancos pressionam concessão de crediário

A decisão dos bancos em aumentar as taxas cobradas das varejistas é uma forma de pressionar o setor a adotar uma postura mais consciente na concessão de crédito ao consumidor e nas vendas a prazo sem juros. Isto porque neste tipo de operação são os bancos que arcam com os custos do não pagamento destas prestações, visto que depois da primeira parcela, os bancos garantem o recebimento do pagamento para as varejistas.

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Apesar da garantia oferecida pelos bancos e operadoras de cartão, quanto maior o prazo de concessão do financiamento, maior é o prazo para que as próprias varejistas recebam seu pagamento. Diante da incerteza atual na economia e da proximidade das eleições presidenciais não é de se estranhar que as varejistas optem pela redução dos prazos como forma de antecipar as vendas.

Além disto, para que possam conceder crediários de mais de 12 meses estas varejistas precisam levantar financiamentos de prazos semelhantes junto aos bancos. Como os bancos tendem a cobrar mais caro quanto maior for o prazo da linha de financiamento, a redução dos prazos concedidos ao consumidor permite que as varejistas levantem dinheiro a custos mais baixos.