TV pública japonesa é condenada por adulterar programa

NHK teria alterado conteúdo histórico de programa que tratava da escravidão sexual de mulheres durante a 2ª Guerra Mundial

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SÃO PAULO – A TV pública japonesa NHK e duas produtoras foram condenadas pela justiça do país a indenizar a ONG Vaww-net, de defesa dos direitos da mulher, por adulterar um programa que abordava a escravidão sexual de mulheres durante a Segunda Guerra Mundial.

A alteração teria sido feita supostamente a pedido do atual primeiro-ministro Shinzo Abe e de Shoichi Nakagawa, braço direito da política japonesa.

Omissão de fatos

De acordo com o Consultor Jurídico, que veiculou as informações do site especializado Findlaw, o programa televisivo havia omitido o fato de que o imperador Hirohito ordenara o envio de 200 mil mulheres para se prostituir em bordéis entre as décadas de 30 e 40. O governo japonês jamais reparou as famílias dessas escravas sexuais.

Abe, que à época da transmissão do programa era chefe de gabinete do governo, e Nagakawa teriam reprovado o conteúdo que mencionava Hirohito como responsável, pedindo que a NHK o modificasse.

Mesmo após ser condenada, a emissora de TV negou os fatos. Embora não tenha visto evidências de que houve interferência política, o juiz que analisou o caso considerou que a NHK é culpada por desistir do controle editorial.

A ONG deve receber indenização de US$ 16,4 mil, valor quase dez vezes menor do que havia pleiteado.