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Museu Nacional: Meteorito Bendegó resiste a incêndio no Rio

Entre as principais atrações do museu, o maior meteorito do Brasil pode testar entre as únicas peças do acervo a ficar intacta

Meteorito Bendegó
(Wikimedia Commons)

SÃO PAULO - Maior meteorito do Brasil e um dos maiores do mundo, o Bendegó sobreviveu intacto ao incêndio de grandes proporções que atingiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, na noite do último domingo (3). Já circulam imagens do objeto sem danos, enquanto a sala ao seu redor aparece totalmente destruída. 

Exposto desde 1892 no museu, o meteorito é de ferro maciço e, por isso, suporta temperaturas de até 10 mil graus centígrados, de acordo com especialistas em geologia. Provavelmente todas as pesquisas realizadas a partir do Bendegó foram perdidas na biblioteca do local. 

Como o prédio principal do museu (Palácio da Quinta da Boa Vista) provavelmente sofreu perda total, os meteoritos podem estar entre as únicas peças intactas. 

Algumas pessoas que compareceram ao local do incêndio, na zona Norte do Rio, disseram que há partes do prédio que não foram atingidas pelas chamas. Em seu Facebook, Paulo Andreas Buckup, estudioso, disse ter acompanhado de perto a evolução da tragédia. Segundo seu relato, sobreviveram os prédios dos Departamentos de Vertebrados, Departamento de Botânica, Biblioteca Principal, Pavilhão de Salas de Aulas, Laboratório de arqueologia na Casa de Pedra, Anexo Alipio de Miranda Ribeiro, e anexo da coleção do Serviço de Assistência ao Ensino. Ele disse ainda ter ajudado a salvar uma coleção de material tipo de moluscos. 

Meteorito é o nome que se dá ao meteoroide ou asteroide que atinge o solo terrestre. Asteroides são objetos rochosos, que orbitam o Sol e estão fora de atividade. Meteoroide é um conjunto de sobras de asteroides ou cometas. Vale lembrar que boa parte dos materiais cósmicos que atingem nosso planeta não resistem ao atrito com o ar da atmosfera terrestre. 

O museu é a mais antiga instituição histórica do país, pois foi fundado por dom João VI em 1818. É vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com perfil acadêmico e científico. Tem nota elevada nos institutos de pesquisa por reunir peças raras, como esqueletos de animais pré-históricos e múmias.

Oficialmente, o Corpo de Bombeiros informou que não há ainda dados sobre as causas do incêndio. No domingo (2), funcionários do museu relataram problemas na obtenção de água, pois dois hidrantes não funcionaram no momento em que os bombeiros estavam no local.

Como o museu está em uma colina, no parque nacional, há uma série de limitações para o fornecimento de água. Os bombeiros confirmaram que o abastecimento de água foi feito por carros-pipa, cedidos pela companhia de água e esgoto do Rio de Janeiro.

Acervo

O Museu Nacional do Rio reunia um acervo de mais de 20 milhões de itens dos mais variados temas, coleções de geologia, paleontologia, botânica, zoologia e arqueologia. No local, estava a maior coleção de múmias egípcias das Américas.

No local, também estava Luzia, o mais antigo fóssil humano encontrado nas Américas, que remete a 12 mil anos, e representa uma jovem de 20 a 24 anos. Havia ainda no acervo o esqueleto do Maxakalisaurus topai, maior dinossauro encontrado no Brasil.

História

O local foi sede da primeira Assembleia Constituinte Republicana de 1889 a 1891, antes de ser destinado ao uso do museu, em 1892. O edifício é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O Museu Nacional do Rio oferece cursos de extensão e pós-graduação em várias áreas de conhecimento. Para esta semana, era esperado um debate sobre a independência do país. No próximo mês, estava previsto o IV Simpósio Brasileiro de Paleontoinvertebrados no local. 

Com Agência Brasil

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