Conteúdo editorial apoiado por

Turismo espacial: negócios de outro planeta

Turista sul-africano à estação espacial ISS é segundo viajante espacial, mas o primeiro a ser coberto por uma apólice de seguros

Publicidade

SÃO PAULO – Viajar para o espaço deixou de ser tema de filmes de ficção para se tornar uma possibilidade real para alguns seres humanos. Uma viagem espacial já pode ser uma nova opção de férias para milionários dispostos a pagar US$ 20 milhões por uma expedição de 10 dias até a Estação Internacional Espacial (ISS, sigla em inglês). Essa, pelo menos foi a quantia paga pelo magnata sul-africano, Mark Shuttleworth, de 28 anos para viajar a bordo do foguete russo Soyuz TM-34 com
destino à ISS. Sua experiência está sendo coberta por uma apólice de seguros, o que abre um novo horizonte às grandes companhias seguradoras, que poderão
aumentar suas receitas com passageiros interplanetários.

Sul-africano é o segundo turista espacial da História

A viagem de Shuttleworth dá continuidade ao projeto da agência espacial russa, Rosaviakosmos, de levar turistas ao espaço. Em abril do ano passado, o
milionário californiano, Dennis Tito, de 60 anos, foi o primeiro turista espacial, o que gerou um grande conflito diplomático entre a Rússia e os países participantes da ISS, contrários à idéia do turismo. Na verdade, essa não foi a primeira vez que um
não-astronauta pisou fora da Terra. Em 1990, a rede de televisão japonesa TBS enviou um repórter à estação orbital russa Mir para cobrir uma viagem.

Shuttleworth recebeu homenagem do ex-presidente Nelson Mandela, que o apelidou de “Afronauta”, já que ele é o segundo turista a sair da Terra e esta é a primeira
vez que um africano vai ao espaço. O sul-africano enriqueceu através de negócios da web, e foi selecionado entre outros magnatas na fila de espera. Ele passou por um curso no Centro Yuri Gagarin de formação de astronautas e, segundo a avaliação de
especialistas estava apto a fazer parte da expedição. Na manhã da última quinta-feira, a nave espacial Soyuz TM-34 levantou vôo na base do Cazaquistão, levando
além de Shuttleworth, o cosmonauta russo Yuri Guidzenko e o italiano Roberto Vittori.

Turismo poderá atrair recursos para agências espaciais

A agência espacial russa, que apresenta problemas financeiros, já anunciou que existem mais lugares para passageiros que tenham uma grande fortuna para
financiar a viagem. O próximo lançamento será feito em outubro, e certamente não haverá problemas na demanda. Hoje, o negócio do turismo espacial enfrenta apenas
restrições no lado da oferta.

O primeiro turista espacial, Dennis Tito, já foi engenheiro da NASA e utiliza atualmente seus dotes matemáticos no mercado financeiro, administrando portfólios de investimentos. A Space Adventure, que intermediou a viagem do californiano, afirma que existem por volta de 100 interessados em viagens interplanetárias. A empresa britânica Red Letters também conta que um grande número de milionários
europeus que estariam dispostos a pagar caro pela viagem. Nesse grupo de interessados estaria o inglês, Peter Llewellyn, que desistiu de ser o pioneiro em viagens espaciais devido ao preço cobrado pela agência espacial russa para uma visita à Mir – US$ 100 milhões.

De acordo com Eugene Cernan, último astronauta a pisar na Lua em 1972, o turismo espacial será realidade em aproximadamente uma década. No entanto, o
ex-comandante da Apolo 17 não enxerga com bons olhos o tipo de turismo vivenciado por Dennis Tito. Na opinião de Cernan, pagar US$ 20 milhões para não fazer nada,
nenhuma espécie de experiência, não valeria a pena. Seria mais interessante construir uma montanha-russa. Com relação à atual falta de interesse pela Lua, ele
acredita que o satélite natural da Terra poderia ser um ponto de parada das viagens interplanetárias, onde os passageiros de um ônibus espacial pudessem
contemplar a marca da bota de Neal Armstrong, primeiro ser humano a sair do planeta.

Continua depois da publicidade

Novos seguros cobrem risco da viagem

Se as agências de turismo ainda não vendem pacotes de viagens ao espaço, as seguradoras já oferecem seguros para este tipo de viagem. Se o sul-africano Shuttleworth não foi o primeiro viajante do espaço, ele certamente será o primeiro a ser coberto por uma apólice de seguro.
O magnata havia contratado um seguro contra falhas mecânicas e ferimentos, que o impedissem de viajar. A apólice também cobre possíveis acontecimentos durante a viagem. Por se tratar de um valor muito alto, essa modalidade de seguros é feita por um grupo de seguradoras, que dividem a responsabilidade caso haja qualquer imprevisto. A apólice de Shuttleworth foi feita pela Aon Space, subsidiária da
Aon Corporation e pela Axa Corporate Solutions, da seguradora francesa Axa. Essa é, sem dúvida, uma tendência da indústria do seguro, que terá em breve um novo segmento para seus negócios.

As viagens espaciais têm necessidade de estar protegidas por apólices de seguros. Em 10 anos, qualquer passageiro poderá contratar um seguro de vida pagando 2% ou 3% do valor da apólice. Um seguro de US$ 5 milhões, por exemplo, sairia entre US$ 100 mil e US$ 150 mil. Na verdade, os milionários não teriam motivos para contratar o seguro, já que milhões de dólares a mais na conta do banco faria pouca diferença em
comparação com sua fortuna. Porém, com a popularização do turismo espacial, os passageiros mais “pobres” teriam um forte interesse em pagar pela apólice.

Tópicos relacionados