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Tony Blair critica ‘dedos apontados’ de ONGs e diz que resolver problemas ambientais não é simples

Brasil pode assumir liderança global [na questão climática], enfatiza ex-primeiro-ministro do Reino Unido

Gilmara Santos

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“A mudança climática é a área da política onde há mais lacuna entre a linguagem que os políticos usam e os problemas reais. Espero que possamos, na COP30 e no G20, diminuir essa lacuna.”

A afirmação é do ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, na 38ª Conferência Hemisférica da Fides (Federação Interamericana de Empresas de Seguros), maior conferência de seguros da América Latina, que acontece no Rio de Janeiro até esta terça-feira (26).

De acordo com Blair, o Brasil tem papel essencial nesta discussão. “O Brasil está no cerne do debate do desmatamento, por causa da Amazônia, que reduziu nos últimos meses, mas ainda há muito o que fazer neste sentido”, disse.

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Ele lembrou que, por aqui, cerca de 80% da energia é limpa (oriunda de fontes renováveis), e com grande potencial para solar e eólica. “A ambição mundial é triplicar o uso dessa energia, e o Brasil tem um papel a desempenhar nisso.”

“O Brasil tem todas as gamas dos problemas e soluções e está em um momento importante de assumir a liderança [global na questão climática]”, considerou o ex-primeiro-ministro.

Blair afirmou ainda que o tema “não pode ser administrado como as ONGs fazem. Não precisamos de discurso e de dedos apontados, sabemos quais são os problemas, mas resolvê-los não é simples”, enfatizou o político.

Para Blair, é necessário financiar a transição energética e investir em novas tecnologias. “Existe dinheiro para ser investido, e o setor segurador sabe disso, mas não temos no mundo em desenvolvimento projetos para investimento. Há trilhões de dólares para investir em questões climáticas, mas precisam ser projetos sólidos, com taxa de retorno e o setor segurador pode desempenhar papel importante neste quesito.”

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Ao vivo:

Fides

Maior conferência de seguros da América Latina, a FIDES reúne experts, executivos e especialistas da área de seguros de 41 países.

O evento é organizado a cada dois anos pela FIDES, entidade sem fins lucrativos que agrega atualmente as associações de seguros privados de 20 países membros (incluindo nações da América Latina, além de Estados Unidos e Espanha), e tem como anfitriã da edição 2023 a CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras), entidade fundadora da Federação e representante do Brasil.

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Esta é a terceira vez que a FIDES é realizada no país – o Rio de Janeiro já recebeu a conferência em 1954 e novamente em 1979 – e é a primeira edição após a pandemia de Covid-19.

Além do ex-primeiro-ministro Tony Blair, o evento conta com a presença de Luis Alberto Moreno, ex-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento; e Paul Krugman, Prêmio Nobel de Economia (2008), entre vários outros especialistas de destaque no mercado segurador global e brasileiro.

Gilmara Santos

Jornalista especializada em economia e negócios. Foi editora de legislação da Gazeta Mercantil e de Economia do Diário do Grande ABC