The Economist: inflação é uma das razões de protestos e ônibus é “bode expiatório”

Segundo a publicação, o aumento da inflação está começando a "corroer o poder de compra da maioria dos brasileiros"

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SÃO PAULO – Desde o começo das manifestações contra o aumento da tarifa das passagens de ônibus em diversas capitais brasileiras, o Brasil foi manchete na imprensa internacional. Nesta segunda-feira (18), o site da revista britânica The Economist também noticiou sobre o assunto e afirmou que uma das razões para as manifestações é o aumento da inflação e que a tarifa das passagens foi “simplesmente” escolhida como “bode expiatório”.

“Na verdade, o aumento das tarifas de ônibus de São Paulo e do Rio de Janeiro nem chega perto da inflação correspondente ao longo desse período de 30 meses. Mas, as tarifas de ônibus estão sob controle do governo, ao contrário de outros custos de rápido crescimento, como os de habitação e alimentação”, explica a reportagem “Talvez, simplesmente [as tarifas] tenham sido escolhidas como bode expiatório”.

Na reportagem, a The Economist ainda diz que o recente aumento da inflação “está começando a corroer o poder de compra da maioria dos brasileiros que ainda tem rendimento modesto.”

Os valores são outros
Na contramão de países como a França, Suécia, Turquia e Reino Unido, onde jovens protestam pelo desemprego, conflitos raciais e queda do nível de qualidade de vida, no Brasil, os motivos são outros. “Eles pagam um dos mais altos impostos (36% do PIB) e obtém serviços públicos terríveis em troca.”

A publicação ainda cita outros problemas no País, como os altos índices da criminalidade, a comercialização do crack em grandes centros urbanos e o custo do transporte público para um trabalhador que ganha um salário mínimo em São Paulo. “Ele vai gastar um quinto do salário bruto para passar horas por dia em ônibus superlotados.”