Publicidade
A poucas horas do fim do prazo para entrega do Imposto de Renda 2026, especialistas alertam que a combinação entre pressa, documentos incompletos e falta de conferência aumenta significativamente o risco de cair na malha fina. A declaração deve ser enviada até esta sexta-feira (29), às 23h59, e quem ainda não prestou contas à Receita Federal precisa acelerar o passo sem abrir mão da revisão das informações.
Segundo o presidente do Sescon-SP, Antonio Carlos Santos, os erros mais comuns nesta reta final continuam sendo falhas aparentemente simples, como digitação incorreta de valores, inversão de números, preenchimento errado de centavos e divergências entre os dados informados pelo contribuinte e os informes enviados por bancos, empresas, cartórios e instituições financeiras .
“O principal é revisar cuidadosamente todas as informações e conferir se os dados estão compatíveis com aqueles já informados à Receita Federal por terceiros. Salários, aposentadorias, investimentos e demais receitas precisam coincidir exatamente com os informes das fontes pagadoras”, afirma Santos .
Receita cruza dados quase em tempo real
Neste ano, o pente-fino da Receita ganhou ainda mais força. Além dos tradicionais informes de rendimentos, o Fisco utilizou uma montanha gigantesca de dados vindos de fontes como:
- eSocial;
- DIMOB;
- DMED;
- cartórios;
- bancos;
- corretoras;
- planos de saúde;
- instituições financeiras.
Na prática, estão entre os pontos mais monitorados as inconsistências envolvendo:
- despesas médicas;
- movimentações incompatíveis com a renda;
- aplicações financeiras;
- compra e venda de bens;
- operações em bolsa;
- previdência privada;
- rendimentos de dependentes
Outro fator que ampliou os cruzamentos em 2026 foi o fim da DIRF, obrigando a Receita a concentrar ainda mais informações em bases digitais integradas e automatizadas.
Leia Mais: Saiba como declarar herança, espólio e imóveis recebidos no Imposto de Renda
Despesas médicas lideram erros
Historicamente, os gastos com saúde seguem entre os maiores gatilhos de malha fina. Segundo o Sescon-SP, muitos contribuintes lançam despesas sem documentação adequada, esquecem reembolsos de planos de saúde ou informam valores divergentes daqueles declarados por clínicas, médicos e operadoras.
“O contribuinte não pode confiar apenas na memória. A Receita cruza rapidamente os dados informados pelos profissionais e pelos planos de saúde”, alerta Santos .
Continua depois da publicidade
Especialistas em direito tributário também recomendam atenção especial aos dependentes, principalmente em casos de:
- guarda compartilhada;
- curatela;
- pensão alimentícia;
- mudança de dependência ao longo do ano.
Nessas situações, erros de duplicidade ou omissão costumam chamar atenção do Fisco.
Heranças
Outro foco que precisa de atenção redobrada neste ano envolve heranças, inventários e atualização de imóveis recebidos por sucessão. Especialistas alertam que muitos contribuintes confundem herança isenta com ausência de obrigação declaratória, especialmente em casos de espólio, venda de imóvel herdado e atualização de valor patrimonial. Com a troca de informações com os cartórios, a base de dados da Receita ficou muito mais ampla e os riscos também.
Continua depois da publicidade
Declaração pré-preenchida
Outro erro frequente nesta reta final é confiar cegamente na declaração pré-preenchida. Embora o sistema facilite o preenchimento automático, especialistas ressaltam que o contribuinte continua responsável pelas informações transmitidas. Dados incompletos, divergentes ou enviados incorretamente por terceiros podem migrar automaticamente para a declaração.
Por isso, a recomendação é conferir:
– informes bancários
– aplicações financeiras
– despesas médicas
– previdência privada
– compra e venda de imóveis e veículos
– rendimentos de dependentes
Continua depois da publicidade
E se faltar documento?
Para quem ainda não conseguiu reunir todos os informes, o Sescon-SP orienta avaliar o risco de atraso. “Se faltar documento relevante de rendimento ou despesa dedutível importante, o ideal é aguardar até conseguir a informação correta, desde que ainda haja tempo. Mas, se houver risco de perder o prazo, pode ser mais prudente entregar a declaração com os dados já confirmados e depois fazer uma retificação”, afirma Santos.
A orientação vale também para casos de perda de informes bancários, comprovantes médicos ou inconsistências identificadas na reta final. O mais importante, segundo especialistas, é evitar preencher valores estimados ou sem comprovação documental.
Multa começa em R$ 165
Quem é obrigado a declarar e perder o prazo estará sujeito a multa mínima de R$ 165,74. Quando houver imposto devido, a penalidade sobe para:
Continua depois da publicidade
- 1% ao mês sobre o valor do imposto;
- limitada a 20% do total devido.
A cobrança é gerada automaticamente após o envio em atraso e passa a sofrer incidência de juros pela Selic se não for quitada em até 30 dias. No fim, especialistas resumem essa reta final do IR em uma recomendação simples: é melhor gastar alguns minutos revisando a declaração agora do que meses tentando sair da malha fina depois.
Veja os erros mais comuns
– despesas médicas sem comprovantes
– esquecer rendimentos de dependentes
– divergência com informes bancários
– erros em investimentos e previdência
– atualização incorreta de bens
– omissão de venda de imóveis ou veículos
– operações em bolsa não declaradas
– confiar sem revisão na pré-preenchida