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Taxa de inadimplência no Brasil deve aumentar nos próximos três meses, diz Ibevar

Segundo o Ibevar, a taxa de inadimplência de pessoa física deve subir em julho, agosto e setembro

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SÃO PAULO – O avanço do novo coronavírus pelo Brasil já fechou comércios, levou empresas à falência e, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar), a pandemia deve, ainda, aumentar a inadimplência do brasileiro nos próximos meses.

Segundo dados da “Projeção de Inadimplência”, feita pelo Ibevar e divulgada em primeira mão para o InfoMoney, o percentual de pessoas físicas que atrasam o pagamento de dívidas no Brasil deve apresentar um aumento gradual, chegando a 5,74% em julho, com avanço para 5,83% em agosto e 5,96% em setembro.

“A taxa de inadimplência (recursos livres) deve ficar entre 5,48% e 6,00%, com média estimada de 5,74% para julho de 2020, o que representa um aumento de 0,21 p.p. em relação à taxa de maio de 2020 e de 0,20 p.p. em relação ao valor estimado para junho de 2020”, diz a conclusão do estudo.

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A projeção econométrica elaborada pelo Ibevar utilizou-se de dados de série temporal coletados a partir do Banco Central do Brasil. O recorte temporal tem inicio no mês de março de 2011.

(Divulgação/Ibevar)

Em entrevista ao InfoMoney, Claudio Felisoni de Angelo, economista e presidente do Ibevar, afirma que, entre as variáveis que o principal fator que explica essa tendência de alta da inadimplência é, obviamente, o impacto da pandemia sobre a renda do brasileiro.

“O que acontece é que, com essa situação pandêmica, há um aumento do desemprego e isso resultou, sem dúvida nenhuma, na aceleração da taxa de inadimplência. Além disso, mesmo as pessoas empregadas, muitas vezes postergam os pagamentos por conta da própria insegurança no que diz respeito à manutenção do emprego e da renda”, explica Felisoni.

Segundo o presidente do Ibevar, ainda que a inadimplência seja um fenômeno presente na atividade comercial mesmo fora da crise, o número de pessoas que deixam de honrar seus compromissos financeiros tende a crescer em situações de estresse e incertezas econômicas.

“Historicamente, o que acaba acontecendo é que, em alguns momentos, a inadimplência cresce em função das condições econômicas adversas. Então, o que está se vendo nesse momento é uma exacerbação das condições adversas e, por conta disso, um aumento da taxa de inadimplência. Em outros momentos, onde as condições econômicas são favoráveis, a inadimplência tende a cair”, analisa.

Para Felisoni, é mais que claro que a crise do coronavírus tem grande impacto no aumento deste indicador de inadimplência, porém, é preciso sempre que lembrar que essa situação atual não é apenas uma crise financeira.

“Essa crise não é apenas financeira, é uma crise sanitária com consequências dramáticas sobre a economia. Diferentemente das crises anteriores, em que elas nasceram, se prolongaram e seguiram sob a teia das relações econômicas, essa crise começa na saúde e se estende para a economia e outros setores da sociedade. Este ano, lamentavelmente, é um ano difícil e perdido”, acredita Felisoni.

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