Fim de festa

SP cancela Carnaval de rua em 2022 após elevação de infecções por Covid e Influenza

Rio, Recife, Olinda e Salvador já haviam cancelado os festejos na rua devido à ‘flurona’; desfiles das escolas de samba no Anhembi ainda estão mantidos

Por  Dhiego Maia -

A Prefeitura de São Paulo cancelou a edição 2022 de seu Carnaval de rua. A informação foi divulgada pela gestão de Ricardo Nunes (MDB), na manhã desta quinta-feira (6). Os desfiles das escolas de samba, no Anhembi (zona norte), ainda estão mantidos.

A decisão de suspender os cortejos de rua na capital paulista segue outros polos da folia no país, como Recife, Olinda, Salvador e Rio de Janeiro, que também optaram por não promover o Carnaval devido à piora dos indicadores da pandemia de Covid-19 associada à disseminação da Influenza.

A gestão do prefeito Ricardo Nunes ventilou realizar a festa no autódromo de Interlagos (zona sul), com menos gente e com a exigência de comprovação de vacinação aos participantes, mas declinou da ideia após recomendação da secretaria de Saúde do município de que o evento não seria seguro e poderia aumentar as infecções na cidade.

Números da pasta mostram que, somente nos quatro primeiros dias de janeiro, foram realizados 32.403 atendimentos a pessoas com sintomas respiratórios, sendo 18.267 suspeitos de Covid-19.

Edson Aparecido, titular da Saúde, afirmou que o grau de disseminação da ômicron, nova variante do coronavírus, segue elevado na maior cidade do país. Nos últimos dez dias, diz o secretário, os atendimentos a pacientes com suspeita de Covid-19 cresceram 30% nas unidades públicas de saúde locais.

Sequenciamento genético recente feito pelo Instituto Butantan mostrou que a causadora desses índices de infecção tem sido a ômicron, que já representava 50% de prevalência entre os pacientes contaminados pelo coronavírus na capital paulista.

O próprio governo de João Doria (PSDB) também se mostrou contrário à realização do Carnaval diante de um quadro de piora dos indicadores da pandemia.

“A recomendação é evitar que o Carnaval aconteça, porém, a decisão cabe, em súmula, àqueles que dirigem o comando das prefeituras”, afirmou Doria, em coletiva à imprensa, nesta quarta-feira (5).

Blocos de rua cancelam participação

Antes mesmo de Nunes suspender os festejos de rua, associações que representam os blocos de São Paulo comunicaram, na noite de quarta-feira (5), em informe publicado nas redes sociais, que não vão participar do Carnaval paulistano.

O cancelamento da participação ocorre, segundo o texto, pela falta de clareza e consenso entre as instituições governamentais federais, estaduais e municipais no combate à pandemia de Covid-19 e à consequente crise sanitária e social.

“Com mais de 600 blocos regularmente inscritos para uma possível realização da nossa festa, estamos hoje, dia 5 de janeiro de 2022, totalmente inseguros quanto à possibilidade de realização do nosso carnaval, quanto às alternativas possíveis para amparar toda a cadeia produtiva envolvida no evento”, diz o texto do manifesto.

De acordo com o comunicado, assinado pelo Fórum de Blocos de Carnaval de Rua de São Paulo, pela União dos Blocos de Rua do Estado de São Paulo, e pela Comissão Feminina de Carnaval de São Paulo, durante a organização prévia do carnaval, nenhum bloco foi incluído nas tratativas de planejamento, levantamento de dados, e necessidades sanitárias, “enfim, nada que o Poder Público pudesse usar para se aproximar dos verdadeiros protagonistas dessa festa, que são os Blocos de Rua”.

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