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SÃO PAULO – Diante dos sucessivos aumentos dos combustíveis, muitos motoristas procuram postos onde o combustível pode ser encontrado mais barato na tentativa de economizar algum dinheiro. Em São Paulo, por exemplo, o custo médio do litro da gasolina está em R$ 2,089, mas alguns postos oferecem o combustível por R$ 2,00.
A diferença no bolso do consumidor é significativa. Vamos supor uma família com dois carros que gastem um tanque de 50 litros por semana. Neste caso, em um mês a diferença dos gastos com combustível no orçamento do consumidor chegaria a 4,5%, com um gasto adicional de R$ 40. O grande problema é que esta economia pode acabar custando ainda mais caro ao consumidor se a gasolina for de má qualidade.
Fraudes atingem 10% do mercado
O pior é que a chance de colocar gasolina batizada no seu carro é relativamente alta, visto que segundo um estudo do Sindicom (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes) cerca de 10% da gasolina consumida no país pode ser adulterada.
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A fraude por levar a deterioração das peças do veículo, isto sem falar na redução do rendimento, um prejuízo que pesa no bolso do consumidor e não é coberto por ninguém. A própria ANP (Agência Nacional de Petróleo) admite que o índice de adulteração dos combustíveis esteja em 6% em todo o território nacional. Contudo, o Sindicom se baseia em outros números para constatar que o nível de fraudes é mais alto.
Nos últimos três anos, a frota de veículos no país cresceu 4%, enquanto o consumo de gasolina caiu cerca de 7,6%, passando de 23,7 bilhões de litros em 1999 para 21,9 bilhões de litros no ano passado. A principal razão para esta tendência distinta entre o tamanho da frota e o consumo de gasolina seria explicada, segundo o diretor de defesa da concorrência do Sindicom, Alísio Vaz, pelo aumento do índice de adulteração da gasolina.
Fraudes custam R$ 3 bilhões à Receita
Vaz não acredita que a queda no consumo possa ser explicada apenas devido ao aumento do preço dos combustíveis e ao aumento do uso de carros a álcool e a gás natural veicular.
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Mas não é apenas o consumidor que perde com o aumento das fraudes, a receita também perde, segundo dados do Sindicato das Distribuidoras, cerca de R$ 3 bilhões que deixam de ser arrecadados devido a falsificação e sonegação no mercado de combustíveis.
Mais álcool e água
A principal fraude que acontece seria a de se aumentar a percentagem de álcool no litro de gasolina. Neste sábado este percentual deve cair de 25% para 20%, mas segundo Vaz é possível encontrar combustíveis com dosagens de até 40% de álcool.
Como o álcool anidro não é tributado na usina, o posto consegue cobrar um preço menor pela gasolina, o que gera uma concorrência predatória, pois quem trabalha corretamente não consegue manter o negócio sendo forçado a reduzir margens para manter a clientela.
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Outra fraude comum seria a de adicionar água de torneira ao álcool anidro para transformá-lo em álcool hidratado, que é o combustível usado nos carros à álcool. O grande entrave no combate a este tipo de fraude, segundo Vaz, é o fato de que a ANP conta com apenas 48 fiscais no país.
Vaz lembra que no Paraná, por exemplo, o litro do álcool deveria custar R$ 1,40 nas bombas, mas é possível encontrá-lo em alguns postos por R$ 1,13, isto apesar do custo na distribuidora ser de R$ 1,20! A explicação para esta distorção só pode ser encontrada na adulteração dos combustíveis.