Sigilo das ligações telefônicas deve ser mantido

Projeto de lei que proibia as ligações não-identificadas é rejeitado por Comissão da Câmara; relator considera que medida fere a privacidade

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SÃO PAULO – A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática rejeitou o Projeto de Lei 3288/04, do deputado José Carlos Araújo (PL-BA), que proíbe as ligações telefônicas anônimas, ou seja, aquelas que não permitem que o número do aparelho que originou a ligação seja identificado.

Para o relator das propostas, deputado Orlando Fantazzini (Psol-SP), a base da discussão sobre o sigilo telefônico é o direito à intimidade e à vida privada. “Poderíamos imaginar como seria a vida de um artista famoso caso o sigilo do seu número de telefone não lhe fosse permitido?”, argumentou.

Privacidade X Segurança

Por outro lado, o relator lembrou que, em algumas situações, a não identificação da chamada pode proteger pessoas inescrupulosas, como aquelas que usam celulares para praticar crimes de extorsão, como nos casos dos falsos seqüestros anunciados por telefone.

Além do projeto de Araújo, o PL 5223/05, do deputado Jorge Gomes (PSB-PE), que tramitava apensado à proposta de Araújo, foi rejeitado. O texto proibia as operadoras de telefonia de oferecerem serviços de bloqueio de identificação de chamadas.

Segundo Fantazzini, as regras impostas pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) já bastam para equacionar a questão, além de que os projetos não apresentam soluções efetivas para o problema, pois a atuação da polícia e a punição dos envolvidos é que serão capazes de coibir os golpes com o uso de telefones.

De acordo com a Agência Câmara, apesar das rejeições, os projetos ainda passarão pela análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, e do plenário.